Canadá pode se tornar o primeiro 'membro associado' da UE
Ursula von der Leyen apoia proposta que estreita laços entre a UE e o Canadá, destacando áreas-chave de cooperação e desafios comuns.
Mark Carney, o Primeiro-Ministro do Canadá, foi visto caminhando ao lado da presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, e da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Em um momento significativo na política internacional, von der Leyen manifestou seu apoio a propostas que poderiam tornar o Canadá o primeiro "membro associado" da União Europeia.
Durante uma sessão no Parlamento Europeu, Ursula expressou seu desejo de "abrir as portas" para o Canadá, o que significaria um estreitamento das relações em setores-chave. Na semana passada, Carney mencionou sua busca por uma "aliança única" com a UE, especialmente em um momento em que o Canadá enfrenta tensões nas relações com os Estados Unidos, intensificadas por disputas comerciais.
Sem citar o presidente dos EUA, Donald Trump, diretamente, von der Leyen afirmou que a proposta de oferecer algum tipo de associação ao Canadá não se tratava de uma parceria contra ninguém, mas sim de fortalecer a colaboração mútua. "Parcerias são uma escolha estratégica para a Europa. Elas também refletem a fragilidade do sistema internacional baseado em regras", acrescentou.
Carney estava presente na importante palestra anual em Estrasburgo e deve se dirigir ao Parlamento na quinta-feira.
Recentemente, as negociações comerciais entre Canadá e EUA falharam, resultando em novas medidas tarifárias. O constante comentário de Trump sobre transformar o Canadá em um "51º estado" intensificou ainda mais a tensão entre os vizinhos da América do Norte.
Durante seu discurso sobre o Estado da União, von der Leyen destacou que a UE e o Canadá "veem o mundo com os mesmos olhos", abordando questões que vão desde inteligência artificial até mudanças climáticas e geopolítica. "E estivemos juntos: na Ucrânia, na defesa, nos materiais-prima e nas cadeias de suprimentos. Mas, acima de tudo, Europa e Canadá acreditam na democracia."
Ela não entrou em detalhes sobre como funcionaria essa associação canadense, mas destacou áreas como manufatura, tecnologia, defesa, energia, minerais críticos e segurança econômica como focos de cooperação. Tanto von der Leyen quanto outros líderes europeus encontram em Carney um aliado confiável ao lidarem com desafios semelhantes.
Particularmente, eles enfrentam a agressiva utilização de tarifas por Trump e sua ameaça de anexar a Groenlândia, um território soberano da Dinamarca, que faz parte da UE. No entanto, vale ressaltar que o conceito de "membro associado" da UE ainda não existe, e qualquer avanço nesse sentido, se acordado, pode levar anos.
No início deste ano, o Chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, sugeriu - gerando reações mistas - que a Ucrânia poderia ser agraciada com esse novo status. Enquanto isso, alguns países dos Bálcãs ocidentais, como Albânia, Bósnia e Herzegovina, Montenegro, Macedônia do Norte e Sérvia, já estão percorrendo o longo caminho rumo à plena adesão à UE. Na Europa Oriental, Georgia e Moldávia também estão em busca de adesão.
Adicionalmente, dez dos 27 membros do bloco ainda não ratificaram um acordo de livre-comércio firmado com Ottawa há quase uma década, e algumas capitais preferem fortalecer os acordos de defesa e comércio existentes em vez de criar uma nova forma de associação.
Atualizado há 4 horas
Mark Carney, em seu discurso no Parlamento Europeu em Estrasburgo, destacou a força conjunta do Canadá e da Europa diante de "rupturas geopolíticas". Ele ressaltou que as sociedades estão sendo afetadas por mudanças climáticas, erosão das normas democráticas e a "instrumentalização do comércio". Carney também afirmou que uma aliança Canadá-UE criaria um "farol para outras democracias" e que não busca formar um novo bloco de poder, mas sim fortalecer a "autonomia estratégica" por meio de "cooperação profunda em capacidades estratégicas", incluindo minerais críticos. Ele sugeriu que o Canadá poderia fornecer gás natural liquefeito e hidrogênio para apoiar a segurança energética europeia, beneficiando-se da expertise da Europa em tecnologias de energia limpa.


