Canadá busca status de 'membro associado' da União Europeia
Primeiro-ministro Mark Carney negocia aproximação com a UE, destacando novas oportunidades após crise comercial com os EUA.

Data e Hora Atual: 13/09/2026, 11:09:07
Contexto: Criação de novo post
Data de Publicação Original: 13/09/2026, 14:00
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Em uma movimentação que pode marcar um novo capítulo nas relações internacionais, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, está em negociações com líderes europeus para estabelecer uma aproximação inédita entre o Canadá e a União Europeia. Isso inclui a possibilidade de o Canadá receber o status de “membro associado” do bloco, uma informação divulgada pelo Wall Street Journal neste domingo, 13.
O jornal destaca que essa iniciativa ganhou força após o colapso das negociações comerciais entre o Canadá e os Estados Unidos, que, segundo autoridades, é a pior guerra comercial bilateral que esses dois países já vivenciaram. Nos últimos meses, Carney tem dialogado com quase todos os líderes dos principais países europeus, buscando maneiras de aprofundar a integração do Canadá, que conta com 41 milhões de habitantes, ao grupo de 27 nações da UE.
Conforme apurado pelo WSJ, o primeiro-ministro orientou seu enviado especial à Europa a explorar alternativas mais ambiciosas, que fiquem aquém da adesão total à União Europeia ou ao seu mercado comum. De acordo com autoridades de ambos os lados, a União Europeia, que historicamente é rígida na aplicação de suas regras de associação, está demonstrando uma abertura em relação à proposta de um “membro associado”.
As conversas estão avançando em áreas estratégicas, como energia, inteligência artificial e minerais críticos para baterias e semicondutores, além de um foco especial em defesa. Na prática, isso poderia facilitar a circulação de bens, serviços e profissionais dessas indústrias entre a União Europeia e o Canadá. Em diálogos com a França, por exemplo, surgiu a ideia de permitir que canadenses possam viver e trabalhar na Europa sem a necessidade de visto, conforme revelaram dois funcionários ao jornal.
As tratativas também incluem projetos conjuntos, como a construção de cabos submarinos, data centers, armazenamento em nuvem e redes de satélites, visando reduzir a dependência de grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Além disso, estão sendo discutidos gasodutos para redirecionar gás natural do Canadá para a Europa, que atualmente depende de rotas pelos Estados Unidos.
Alexander Stubb, presidente da Finlândia e que mantém um contato regular com Carney, comentou ao WSJ: “Não seria maravilhoso se o Canadá fosse o 28º estado da União Europeia, em vez do 51º estado dos Estados Unidos?”
Entretanto, vale ressaltar que essa aproximação enfrenta desafios. Dez países europeus ainda não ratificaram um acordo comercial anterior entre a UE e o Canadá, que foi fechado há dez anos. Além disso, há receios de que Carney esteja usando essas conversas como uma forma de pressão nas negociações com Washington. A União Europeia, por sua vez, evita oferecer termos muito generosos, temendo que isso gere pedidos semelhantes de outros membros, especialmente em um contexto sensível como o do Brexit.
Um funcionário americano que conversou com o WSJ destacou que, com o papel dos Estados Unidos como consumidor global em declínio, não está claro se o Canadá ou a União Europeia teriam capacidade de absorver a produção um do outro.
Carney deve fazer um discurso nesta quinta-feira, onde é provável que aborde esses assuntos.


