Campanha da Fraternidade da CNBB: Direito à Moradia Digna
Números do déficit habitacional
© CNBB/Divulgação
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deu início, nesta Quarta-feira de Cinzas (18), em Brasília, à Campanha da Fraternidade (CF) de 2026, que traz como lema "Ele veio morar entre nós" (João 1,14). Com foco no tema “Fraternidade e Moradia”, a Igreja Católica busca abordar a realidade de milhões de brasileiros que ainda enfrentam a dura realidade de não ter acesso a uma casa adequada. Na abertura do evento, o secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoerpers, enfatizou que ter uma moradia segura não deve ser encarado como um privilégio. Ele afirmou: “Não podemos naturalizar que alguém viva sem teto e aceitar que crianças cresçam em áreas de risco. Não é aceitável que a desigualdade determine quem tem o direito de morar com dignidade. A moradia não é um privilégio; é uma condição básica para o exercício de outros direitos.” O secretário-executivo de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen, que atua na Diocese da Campanha (MG), leu uma mensagem enviada pelo Papa Leão XIV para a campanha. Ele lembrou que a Sagrada Família enfrentou a falta de abrigo em Belém, e que o menino Jesus nasceu em uma manjedoura, ressaltando assim sua identificação com aqueles que não têm um teto digno. Além disso, o padre Jean Poul Hansen convocou tanto a sociedade quanto o poder público a debater e garantir o direito à habitação, não apenas durante a campanha, mas de forma contínua. Ele disse: “Deve ser uma atitude constante que nos compromete a ir ao encontro de Cristo presente naqueles que não têm onde morar.” Durante a cerimônia, foi compartilhada a experiência da comunidade católica de Trindade, em Salvador (BA), que tem trabalhado para garantir moradia digna a pessoas em situação de rua. Irmão Henrique Peregrino, responsável pela iniciativa, destacou os avanços conquistados: “Não se trata apenas de oferecer muros e teto, mas de proporcionar o calor de um lar, o sentimento de estar em casa, em família; de acompanhar a saúde, ajudar na administração dos recursos e estar presente na geração de renda, auxiliando a pessoa a se reencontrar.” A Campanha da Fraternidade de 2026 lança um olhar atento para a realidade habitacional do país, onde, segundo dados de 2022, cerca de 328 mil pessoas vivem em situação de rua. O sacerdote Jean Poul Hansen também cobrou um maior comprometimento do Estado na redução do déficit habitacional no Brasil. “A política é a forma mais excelente da caridade. [...] Devemos promover ações sociopolíticas em todos os níveis de governo e da sociedade — no município, no estado e na nação. O Brasil espera de nós iniciativas que incentivem políticas públicas de habitação.” Por fim, o secretário-geral Dom Hoerpers reiterou que as políticas públicas habitacionais não são meras concessões, mas sim deveres do Estado. Ele concluiu: “A crise habitacional deve mobilizar toda a sociedade. Primeiro, as autoridades precisam agir.”
