
Calviño destaca a urgência da União da Poupança e Investimentos na UE
A intervenção do presidente do Banco Europeu de Investimento ocorre antes do Conselho Europeu informal de meados de fevereiro.
A União Europeia enfrenta um momento decisivo, e a presidente do Banco Europeu de Investimento (BEI), Nadia Calviño, não hesitou em enfatizar essa necessidade. Em uma carta endereçada ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, Calviño sublinhou a urgência de "tornar a União da Poupança e do Investimento uma realidade".
Nesta correspondência, à qual a Euronews teve acesso, a presidente delineia as prioridades da instituição bancária antes do Conselho Europeu informal marcado para 12 de fevereiro na Bélgica. Um dos pontos centrais da carta é a necessidade de acelerar a estratégia da União da Poupança e dos Investimentos, um pacote legislativo que visa redirecionar uma parte da poupança europeia para o investimento em empresas do continente, com o objetivo de fomentar a prosperidade.
"Devemos criar os quadros e instrumentos corretos o mais rápido possível para garantir que a poupança europeia seja canalizada para onde realmente é necessária: empresas inovadoras em toda a Europa", escreveu Calviño.
Embora os detalhes técnicos do pacote possam parecer complexos e distantes da realidade do cidadão comum, o impacto da estratégia global é evidente e significativo para a população europeia. Aumentar o número de investidores e empresas nos mercados de capitais é uma forma de tornar a Europa um continente mais próspero e competitivo, especialmente em relação a outros grandes blocos, como os Estados Unidos.
Calviño também abordou um dos principais desafios que o continente enfrenta. "Um dos grandes obstáculos ao investimento é o acesso ao financiamento", observou ela na carta. "Enquanto apenas um terço das empresas norte-americanas (29%) vê isso como um problema, quase metade das empresas europeias (45%) o considera um impedimento".
Um dos objetivos principais da União da Poupança e dos Investimentos é harmonizar as regras e centralizar certas operações a nível europeu, vital para integrar melhor os mercados atualmente fragmentados por fronteiras nacionais. Entre as propostas apresentadas, destaca-se a sugestão de centralizar a supervisão dos mercados financeiros. Embora existam regras europeias para regular esses mercados, a interpretação por parte dos reguladores nacionais varia consideravelmente. Outro ponto importante é a necessidade de harmonizar a legislação sobre insolvência.
Embora a maioria dos países da UE esteja a favor de um ambiente europeu mais competitivo em termos geopolíticos, os desentendimentos sobre os detalhes da legislação frequentemente atrasam o avanço das reformas necessárias. Essa situação evidencia que, na prática, a construção de um mercado mais integrado e eficiente requer não apenas vontade política, mas também um esforço conjunto para superar as divergências.


