Cade Aprova Aquisição da Desktop pela Claro por R$ 4 Bi
A decisão do Cade permite que a Claro expanda sua presença no mercado de telecomunicações de São Paulo, com impacto significativo na concorrência local.

14/09/2026 10h53
• Atualizado há pouco
A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a aquisição da Desktop pela Claro, sem impor restrições. Essa decisão reflete uma mudança nas preocupações iniciais sobre possíveis obstáculos à transação entre as duas operadoras.
Na análise, a superintendência identificou que a maior sobreposição entre as empresas ocorre no setor de banda larga fixa, afetando 198 municípios. Nesses locais, as participações de mercado conjuntas serão bastante relevantes.
Vale a pena destacar: a análise também concluiu que a probabilidade de uso unilateral de poder de mercado, resultante dessa operação, é considerada baixa, mesmo nas cidades onde a presença de mercado será mais significativa.
O órgão antitruste ressaltou que as condições de entrada, a rivalidade e a contestabilidade no setor são adequadas para minimizar os riscos à concorrência. Eles mencionaram a existência de infraestrutura de redes e a presença de concorrentes, tanto locais quanto nacionais, que devem garantir um ambiente competitivo.
Além disso, a superintendência observou que a Claro terá incentivos econômicos para desocupar gradualmente as estruturas consideradas redundantes.
A Desktop, por sua vez, conta com 1,2 milhão de clientes em 198 cidades do Estado de São Paulo, representando uma participação de 7,6% no mercado.
Para a Claro, essa aquisição é um passo significativo na disputa pela liderança no Estado, onde está lado a lado com a Vivo. Atualmente, a Claro possui 4,5 milhões de clientes em São Paulo, o que equivale a 28,3% do mercado, enquanto a Vivo tem 4,9 milhões, com 31%.
• Em maio, a operação já havia recebido a aprovação prévia da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Retornando um pouco no tempo, é interessante notar que, no início, as sinalizações eram de resistência à transação. Em outubro de 2025, quando surgiram informações sobre a negociação, a Anatel fez uma análise preliminar que indicava potenciais impactos negativos ao mercado e à entrada de novos competidores caso a aquisição fosse confirmada.
A transação entre Claro e Desktop foi oficialmente anunciada em março deste ano, com um valor total de R$ 4 bilhões, considerando R$ 2,4 bilhões em ativos e R$ 1,6 bilhão em dívidas que serão assumidas.
Com isso, a Claro vai ficar com 84 milhões de ações ordinárias da Desktop, representando 73% da operadora.
Os vendedores incluem o fundo de investimento Makalu Brasil Partners, sob a gestão da norte-americana HIG Capital, e um grupo de investidores, incluindo o fundador da Desktop, Denio Alves Lindo. Em uma segunda fase, a Claro deve fazer uma oferta para adquirir os 27% das ações que ainda estão no mercado.
A Desktop foi fundada em 1997, em Sumaré (SP). Em 2020, recebeu um investimento da HIG Capital para impulsionar seu crescimento e, no ano seguinte, lançou suas ações na Bolsa. Desde o final de 2025, a empresa tem se preparado para essa nova fase.
