Cabeça de Toco: Dança e Cultura em Aquidauana
Espetáculo 'Cabeça de Toco' conecta dança, natureza e memória cultural em Aquidauana, destacando a arte e a identidade regional.

Aquidauana, no Mato Grosso do Sul, é o cenário do espetáculo 'Cabeça de Toco, Aqui Tudo é Mato'. Esta obra multidisciplinar combina dança, teatro, artes visuais e literatura, proporcionando ao público uma experiência cênica que explora a relação entre corpo, natureza e território. A apresentação faz parte do projeto 'Danças em Trânsito', realizado pela Arado Cultural e apoiado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O projeto é sustentado por investimentos da Lei Paulo Gustavo (LPG), da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura (SETESC), além do Governo do Estado e do Ministério da Cultura (MinC).
Idealizada pela artista Renata Leoni, a obra surgiu em 2022, durante uma residência artística em Brasília, onde Renata dialogou com artistas do Centro Coreográfico Nacional de Tours (CCNT), na França. Sua criação foi inspirada pelas esculturas da artista sul-mato-grossense Conceição dos Bugres, que se tornou uma referência central para o espetáculo. A circulação dessa obra, viabilizada com recursos da LPG, ressalta a importância das políticas públicas culturais, que visam ampliar o acesso à produção artística, especialmente em localidades fora dos grandes centros urbanos.
Em cidades como Aquidauana, essa iniciativa não apenas aproxima diferentes públicos da dança contemporânea, mas também fortalece o intercâmbio entre artistas, universidades e as comunidades locais. O título 'Cabeça de Toco' carrega significados profundos; alude tanto à estética das esculturas quanto ao material utilizado nas performances: troncos de árvores coletados ao longo de décadas. O subtítulo 'Aqui Tudo é Mato' dialoga com artistas e pensadores da região Centro-Oeste, evocando um território onde 'tudo tem potencial para brotar — tanto o que é vital quanto o que nos desafia'.
Sob a direção e coreografia de Eduardo Fukushima, o espetáculo destaca-se por uma pesquisa corporal que valoriza a sutileza, a respiração coletiva e a transformação do corpo em paisagem. A criação aborda questões ambientais e sociais relevantes no Mato Grosso do Sul, como o avanço da monocultura e os impactos das queimadas no Pantanal. Entre as referências que permeiam a obra, estão as paisagens do Centro-Oeste, os rios, os pássaros e os movimentos indígenas em defesa da floresta, assim como o pensamento do líder indígena Ailton Krenak. Com essa circulação por diversas cidades, o espetáculo convida o público a desacelerar o ritmo do cotidiano e refletir sobre sua relação com o ambiente ao redor.
