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BTG: Aumento nos Resgates de Fundos de Crédito e Infraestrutura em Outubro
Os resgates líquidos em fundos de crédito e infraestrutura cresceram em outubro, refletindo a volatilidade do mercado. Entenda os números e suas implicações.
Reprodução Redes Sociais
30/10/2026, 14h30 Atualizado 30/10/2026, 14h30
Em outubro, os resgates líquidos nos fundos de crédito privado e de infraestrutura apresentaram um crescimento significativo, refletindo a volatilidade dos títulos de dívida corporativa. Nos fundos de crédito tradicional, as saídas chegaram a R$ 15 bilhões até o dia 26, um aumento considerável em relação aos R$ 9 bilhões registrados em setembro. Simultaneamente, os fundos de infraestrutura enfrentaram um cenário semelhante, com resgates líquidos atingindo R$ 6 bilhões, o dobro dos R$ 3 bilhões do mês anterior. Esses dados são de um levantamento realizado pela área de pesquisa do BTG Pactual.
O movimento foi, proporcionalmente, mais intenso entre os fundos de infraestrutura. De acordo com o relatório elaborado pelos analistas Thomas Tenyi, Renan Tiburcio e Fernando Soares, as saídas de outubro corresponderam a 2% do patrimônio líquido da amostra monitorada pelo banco, em comparação com 0,9% em setembro. Nos fundos de crédito tradicional, os resgates foram de 0,7% do patrimônio, um leve aumento em relação aos 0,5% do mês anterior.
Em termos acumulados, os fundos de crédito tradicional já somam resgates líquidos de R$ 110 bilhões neste ano, o que equivale a 5,3% do patrimônio. Já os fundos de infraestrutura contabilizam R$ 15 bilhões em saídas, representando 5,2% do total. É importante destacar que, segundo o BTG, essa é a primeira vez que a amostra de fundos de infraestrutura registra resgates líquidos no acumulado de 12 meses, período em que as retiradas totalizaram R$ 6 bilhões.
Esse aumento nos resgates ocorre após uma elevação acentuada nos prêmios de risco das debêntures incentivadas, que são títulos destinados a financiar projetos de infraestrutura e oferecem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas. O relatório aponta que, em 19 de outubro, a diferença entre a remuneração desses papéis e a dos títulos públicos indexados à inflação, medida pelo índice IDA-IPCA Infra, alcançou 1,06 ponto percentual, o maior nível desde dezembro de 2023.
Entre junho e agosto, a diferença se manteve entre 0,30 e 0,35 ponto percentual, mas começou a subir novamente em setembro. Essa tendência foi generalizada, atingindo 94% dos papéis que compõem o índice, segundo o BTG.
Nos dias seguintes, entre 19 e 28 de outubro, a situação apresentou uma recuperação. A diferença caiu 0,29 ponto percentual, estabelecendo-se em 0,77 ponto percentual acima da remuneração dos títulos públicos. Os analistas observam que essa melhora reflete uma maior atratividade dos papéis, além da retomada das compras, especialmente de títulos de empresas consideradas de menor risco.
A volatilidade também impactou a rentabilidade dos fundos de infraestrutura. De acordo com o BTG, os fundos que utilizam mecanismos de proteção contra oscilações nas taxas enfrentaram perdas em setembro e até meados de outubro, mas conseguiram voltar a apresentar ganhos com a recuperação dos preços dos títulos. Por outro lado, os fundos que não utilizam essa proteção registraram perdas em outubro, devido ao aumento nas taxas dos títulos públicos indexados à inflação após o segundo turno da eleição presidencial.
O banco acredita que os resgates devem continuar nas próximas semanas, considerando a volatilidade da rentabilidade e os prazos mais longos para o pagamento dos resgates.