Bruxelas Avalia Suspensão de Multas por Emissões de Metano
Com a crise energética em alta, a Comissão Europeia considera suspender sanções por emissões de metano, visando garantir o fornecimento de gás e petróleo.

A Comissão Europeia está avaliando a possibilidade de suspender as multas relacionadas ao metano para os produtores de petróleo e gás em situações como a escassez de gás, armazenamento de emergência ou grandes choques no fornecimento de petróleo. Essa informação foi revelada em um documento acessado pela Euronews. O texto, que foi distribuído aos Estados-membros da UE, sugere que as sanções não devem interferir no fornecimento de gás ou petróleo durante períodos de tensão ou crise no mercado. Essa medida pode ser interpretada como uma resposta à crescente pressão da indústria e de parceiros internacionais.
Produtores de petróleo e gás, junto com o secretário da Energia dos EUA, Chris Wright, já haviam solicitado a Bruxelas que reconsiderasse ou suavizasse as regras relacionadas ao metano. Eles alertaram que as restrições poderiam prejudicar o comércio e os fluxos de investimento, especialmente em meio à atual crise energética. À medida que a Europa se torna cada vez mais dependente da importação de gás natural liquefeito (GNL), em grande parte proveniente dos Estados Unidos, Bruxelas está preocupada de que uma aplicação rigorosa dessas regras possa afetar as relações com os fornecedores, desestimular investimentos ou redirecionar cargas para mercados asiáticos, que são considerados mais lucrativos.
Um porta-voz da Comissão já havia declarado que o executivo da UE estava finalizando orientações para assegurar uma "aplicação uniforme e coordenada" das sanções previstas no regulamento sobre o metano, com o intuito de não ameaçar a segurança do abastecimento. A pressão sobre a Comissão aumentou após um estudo realizado em março, que envolveu grupos industriais e a consultoria Wood Mackenzie. Esse estudo apontou que as regras relacionadas ao metano poderiam tornar 43% das importações de gás da UE e 87% das importações de petróleo não conformes a partir de 2027.
Entretanto, críticos podem argumentar que a UE está tentando evitar um confronto com principais exportadores e empresas do setor energético, ao introduzir uma flexibilidade excessiva na aplicação da legislação. Isso poderia, de fato, comprometer a credibilidade das próprias regras. Vale lembrar que os países da UE adotaram as normas sobre o metano em maio de 2025, estabelecendo o primeiro quadro do bloco para medir, comunicar e verificar as emissões de metano no setor energético. Essa iniciativa faz parte dos esforços para reduzir um dos gases de efeito estufa mais potentes, sendo que o metano possui um potencial de aquecimento global 80 vezes maior que o do dióxido de carbono em um período de 20 anos. De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), esse gás é responsável por cerca de 30% do aumento da temperatura global desde a Revolução Industrial.
Diante da pressão crescente do setor, a Comissão já havia adiado partes do regulamento de 2025 para 2027. Os críticos afirmam que a proposta mais recente vai ainda mais longe, enfraquecendo os incentivos financeiros que deveriam assegurar o cumprimento e um controle rigoroso.


