Brave Processado por Coleta de Dados e Contorno de Paywalls

Brave Processado por Coleta de Dados e Contorno de Paywalls

O New York Times processa a Brave por copiar reportagens e contornar paywalls, levantando preocupações sobre privacidade e direitos autorais.

•3 min de leitura•Fonte original

reprodução/Brave)

O jornal The New York Times moveu um processo contra a empresa responsável pelo navegador Brave, alegando que a Brave estaria copiando suas reportagens para desenvolver produtos próprios. A ação, apresentada em 2 de novembro de 2026, também questiona as funcionalidades de bloqueio de anúncios que permitem que usuários contornem paywalls.

Conforme o processo, a Brave mantém um vasto acervo com mais de 30 bilhões de páginas da web, adicionando milhões de novos endereços diariamente. Entre esses dados, estariam cópias de reportagens do Times, tudo isso sem a devida autorização.

O jornal destaca que a Brave não revela publicamente qual robô está sendo utilizado para coletar essas informações, dificultando o bloqueio do rastreador por editores. O conteúdo coletado é utilizado em produtos como o Ask Brave, que responde perguntas com inteligência artificial, semelhante ao Modo IA do Google, reduzindo a necessidade de acesso à publicação original.

Em um processo separado, outros jornais, como o New York Daily News, Chicago Tribune e Orlando Sentinel, estão fazendo acusações semelhantes contra a Brave.

O processo ressalta que a Brave estaria comercializando o acesso ao seu índice por meio da Brave Search API, permitindo que terceiros recuperem informações da web. Entre esses clientes estão empresas de inteligência artificial como Anthropic, Perplexity, Mistral, xAI e Cohere.

Um dos produtos oferecidos pela API, conforme mencionado pelo Times, é o LLM Context, criado para fornecer a modelos de linguagem textos, tabelas e outros dados extraídos da internet.

O Times tem adotado uma postura rigorosa em relação ao acesso não autorizado ao seu conteúdo por ferramentas e empresas de inteligência artificial. Eles aguardam o julgamento de um processo contra a OpenAI e a Microsoft, iniciado em 2023.

O navegador Brave, conhecido por suas funcionalidades de privacidade e bloqueio de rastreadores, está no centro dessa disputa. O Times argumenta que essas ferramentas prejudicam suas receitas provenientes de anúncios e assinaturas.

O processo também menciona filtros que podem ser adicionados ao bloqueador de anúncios, como o Paywall Blocker, que facilita o acesso a textos exclusivos para assinantes.

O jornal enfatiza que, sem recursos adequados para financiar o trabalho jornalístico, haverá um vácuo na produção de notícias que nenhuma inteligência artificial conseguirá preencher. Além disso, sustentam que a Brave se beneficia do acesso ao conteúdo enquanto diminui as oportunidades de monetização do veículo que o produziu.

A disputa teve início antes de chegar aos tribunais, com o Times afirmando ter enviado duas notificações extrajudiciais à Brave em 2025 e 2026. A nova ação foi protocolada após a empresa não responder aos pedidos anteriores.

Graham James, porta-voz do jornal, declarou que a instituição apoia o desenvolvimento responsável da inteligência artificial, mas critica a Brave por desconsiderar a legislação de direitos autorais e os pedidos feitos anteriormente para que suas práticas fossem interrompidas.

A Perplexity, mencionada como uma das clientes que se utilizam da raspagem de dados promovida pela Brave, reagiu à acusação, defendendo-se publicamente.

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