Brasileiro Imigrante Candidata-se a Deputado na Flórida

Felipe Sousa Lazaballet busca uma vaga na Câmara de Deputados da Flórida, desafiando o conservadorismo local e representando a comunidade LGBTQIA+.

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Brasileiro Imigrante Candidata-se a Deputado na Flórida
Reprodução Redes Sociais

Por Folhapress — Nova York

18/10/2026, 12h08 Atualizado 18/10/2026, 12h08

Nascido em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, Felipe Sousa Lazaballet, de 40 anos, está em busca de uma vaga na Câmara de Deputados da Flórida. As eleições acontecem no próximo dia 3 de novembro e, por lá, o cenário é predominantemente republicano. Felipe, no entanto, se identifica como democrata.

Mas seu partido não é a única característica que o torna uma voz minoritária nesse ambiente político. Em um estado que, embora tenha uma população latina crescente, é conhecido por seu conservadorismo, Felipe também se destaca por ser gay. Além disso, ele enfrentou a dura realidade de ser um imigrante em situação irregular por mais de uma década.

O candidato está disputando a eleição pelo Distrito 42, na região metropolitana de Orlando. Se for eleito, não apenas se tornará o primeiro brasileiro a ocupar uma cadeira na Assembleia da Flórida, como também será o primeiro imigrante abertamente gay a alcançar essa posição.

Filho de uma mãe solteira e empregada doméstica vinda do Ceará, Felipe chegou aos Estados Unidos em 2001, aos 14 anos. Acompanhado pela irmã mais velha, que já havia se estabelecido na Flórida, ele viajou com um visto de turista, sem intenções de retornar ao Brasil.

A irmã fez uma promessa: assim que conseguisse se estabilizar, levaria Felipe para um futuro com mais oportunidades. Ele se matriculou em uma escola, destacou-se como um dos melhores alunos e formou um círculo de amizades. A vida parecia ir bem.

No entanto, aos 16 anos, Felipe percebeu como sua situação poderia complicar seus planos. Com o visto de turista já expirado, um orientador de sua escola revelou que ele não poderia se inscrever em uma universidade. Essa notícia o deixou desolado, principalmente porque o sonho do ensino superior sempre esteve presente em sua vida.

Meses depois, um conhecido brasileiro da igreja que frequentava trouxe uma nova esperança: o Miami Dade College, uma das instituições de ensino mais renomadas da Flórida, aceitava imigrantes em situação irregular. Embora essa política já não exista mais, na época, Felipe viu uma oportunidade e decidiu estudar relações internacionais.

Durante seus estudos, a consciência sobre seu status migratório se aprofundou. Naquele momento, o debate sobre a legalização de imigrantes que chegaram ao país quando crianças estava ganhando força nos Estados Unidos. Esses imigrantes são conhecidos como “dreamers” (sonhadores). Felipe começou a se envolver ativamente no movimento em 2006, participando de reuniões e mobilizações. Uma das mais marcantes aconteceu em 2010.

No início daquele ano, ele e outros jovens adultos na mesma situação organizaram a “Trail of Dreams” (trilha dos sonhos), uma marcha a pé da Flórida até Washington, percorrendo 1.500 km em busca da legalização dos “dreamers”. A jornada durou cinco meses, de janeiro a maio.

Esse foi um período do primeiro governo de Barack Obama, que era visto como mais progressista e aberto a apoiar essa causa.

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