Brasil Rebate EUA sobre Tarifas e Impactos Econômicos
Governo brasileiro destaca que tarifas elevadas prejudicariam tanto o Brasil quanto empresas dos EUA, ressaltando a importância do diálogo comercial.

Em um documento recente enviado aos Estados Unidos, o governo brasileiro levantou objeções à proposta de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, sugerida pelo Representante Comercial dos EUA (USTR). O Itamaraty enfatizou que essa medida não só prejudicaria o Brasil, mas também teria impactos negativos para as empresas norte-americanas. “Altas tarifas sobre produtos brasileiros gerariam custos reais para a economia dos EUA”, afirma o documento de 29 páginas, assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
O ministro destacou que 43 empresas e associações comerciais dos EUA pediram a exclusão de produtos de qualquer tarifa, apontando a falta de alternativas nacionais e alertando sobre o risco de que esses custos acabem sendo repassados aos consumidores e indústrias americanas. “Os participantes do mercado temem que a implementação de tarifas amplas possa acabar prejudicando, em vez de beneficiar, os interesses econômicos dos EUA”, acrescenta o texto.
Além disso, o Brasil refutou a alegação do USTR de que o sistema de pagamentos instantâneos, o Pix, discrimina empresas dos EUA. O governo brasileiro defendeu também decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que foram utilizadas para justificar o suposto prejuízo às empresas estadunidenses e argumentou que o aumento de tarifas, se implementado, não reverteria as políticas brasileiras.
A resposta oficial do Brasil ao USTR, enviada na quarta-feira (1º), alerta que a tarifa proposta poderia, na verdade, minar o diálogo entre os países. “Essa situação prejudicaria uma relação bilateral de comércio e investimento que é claramente importante para ambos os lados, ao mesmo tempo que reduziria as oportunidades para um diálogo mais eficaz, capaz de gerar resultados práticos”, disse o documento.
Para o governo brasileiro, a ameaça de tarifas foi politizada por autoridades dos EUA, especialmente em um ano eleitoral, com a intenção de influenciar a escolha dos eleitores brasileiros. O Itamaraty também defendeu o Pix, contestando os argumentos do USTR sobre discriminação. O texto destaca que empresas como Google Pay Brasil e Visa, ambas dos EUA, operam dentro do sistema. “Esses fatos contradizem a sugestão de que o Pix seria um mecanismo nacional fechado, excluindo as empresas americanas ou tratando-as de forma discriminatória”, declarou o governo.
Ademais, lembraram que os EUA também desenvolveram uma infraestrutura pública de pagamento, o FedNow, criado pelo Federal Reserve. A crítica ao Pix por parte das autoridades estadunidenses é interpretada como uma reação ao seu funcionamento gratuito, que tem afetado empresas como MasterCard, Visa e WhatsApp Pay, que cobram pelos serviços que o Pix oferece sem custos.
Por fim, o relatório do USTR utilizou decisões do STF contra plataformas digitais sediadas nos EUA para apoiar a alegação de que o Brasil estaria “discriminando” empresas norte-americanas. “Qualquer alegação de irrazoabilidade a esse respeito é completamente infundada, visto que o USTR sequer...
Atualizado há 9 horas
Começam nesta segunda-feira (6) as audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), etapa considerada decisiva na investigação comercial americana que propõe uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. As audiências fazem parte do processo, baseado na Seção 301 da legislação comercial americana, e permitem que empresas, associações, governos e outras partes interessadas apresentem seus argumentos antes da decisão final dos Estados Unidos. Representantes da indústria e do agronegócio brasileiros estarão entre os participantes. Eles pretendem convencer o governo americano de que a sobretaxa prejudicaria não apenas exportadores brasileiros, mas também empresas, consumidores e cadeias produtivas dos EUA. Entre os participantes estão a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), além de representantes dos setores de café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual.
Atualizado há 2 horas
Começam nesta segunda-feira (6) as audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), etapa considerada decisiva na investigação comercial americana que propõe uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. As audiências fazem parte do processo, baseado na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, de 1974, que permite ao governo norte-americano investigar práticas comerciais de outros países que considere desleais ou prejudiciais aos interesses estadunidenses. Ao menos 40 entidades e empresas brasileiras e estadunidenses se inscreveram para participar da sessão, previsão para se estender até esta terça-feira (7). Entre as organizações brasileiras credenciadas para apresentar seus argumentos durante a audiência estão a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Conselho Brasileiro de Exportadores de Café (Cecafé), a Confederação Nacional da Indústria (CNI), União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Embraer. O senador Flávio Bolsonaro também consta entre os inscritos a participar, amanhã.
Atualizado há 8 horas
Começam nesta segunda-feira (6) as audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), etapa considerada decisiva na investigação comercial americana que propõe uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. As audiências, realizadas entre segunda e terça-feira (6 e 7), contaram com a participação de empresas, representantes de setores produtivos brasileiros e até um pré-candidato à Presidência. Gigantes multinacionais como Coca-Cola, Nestlé, Tesla e eBay enviaram representações para solicitar que não haja sobretaxa aos produtos brasileiros. A decisão do governo americano deve sair até o dia 15 de julho. Flávio Bolsonaro, em sua participação, reforçou o argumento de que as tarifas beneficiariam eleitoralmente o atual governo e expressou desejo pelo 'cancelamento' da medida.