Brasil e Índia: Parceria Estratégica em Medicamentos e Vacinas
Presidente Lula e comitiva estão em Nova Délhi. Proposta de parceria prevê produção de medicamentos oncológicos e remédios para combater doenças tropicais.

Na manhã de quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, o governo brasileiro anunciou seu interesse em estabelecer uma colaboração com a Índia na produção de medicamentos e vacinas. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, faz parte da comitiva do presidente Lula, que está em Nova Délhi para participar de uma cúpula dedicada ao impacto da inteligência artificial.
De acordo com Padilha, a proposta de parceria envolve a participação de instituições públicas e empresas de ambos os países na fabricação de medicamentos oncológicos e remédios para o tratamento de doenças tropicais. Durante um encontro com os ministros indianos Jagat Prakash Nadda, responsável pela Saúde e Bem-Estar da Família, e Prataprao Jadhav, que cuida da Medicina Tradicional, Padilha expressou a intenção de ampliar ações e intercâmbios sobre o acesso gratuito da população aos serviços de saúde.
"Brasil e Índia possuem sistemas públicos robustos e uma forte capacidade científica, além de desempenharem papéis estratégicos no Sul Global. Nossa cooperação em saúde pode aumentar o acesso a medicamentos e fortalecer a produção local, impulsionando a inovação", destacou o ministro brasileiro.
Padilha convidou os representantes indianos a se juntarem à Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo. "Nosso objetivo é que Índia e Brasil estejam na vanguarda de uma nova agenda internacional de saúde, priorizando a produção local, a inovação e a solidariedade", refletiu.
Outro ponto importante discutido entre as autoridades foi a utilização de tecnologias digitais e inteligência artificial para organizar os sistemas públicos de saúde. Padilha ressaltou que o intercâmbio em saúde digital pode ser um grande aliado na modernização do Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso e qualificando o atendimento à população.
Além disso, uma proposta interessante foi a criação de uma biblioteca digital de medicina tradicional, reunindo evidências científicas, protocolos, estudos clínicos, registros históricos e boas práticas em saúde. Essas iniciativas podem trazer novas perspectivas e avanços significativos para a saúde pública.
Atualizado há 1 hora
Brasil e Índia firmaram hoje (21) três acordos chamados de “Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo” que vão garantir a oferta dos medicamentos pertuzumabe, dasatinibe e nivolumabe, usados no combate ao câncer para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo nota do Ministério da Saúde, as parcerias “contemplam três medicamentos utilizados no tratamento de diferentes tipos de câncer, como os de mama, pele e leucemias.” No primeiro ano de execução das parcerias, o Brasil deverá investir R$ 722 milhões. A projeção é que em uma década, o investimento nacional possa chegar a R$ 10 bilhões para fabricar e ofertar os medicamentos. Além do fornecimento, os acordos têm em perspectiva a internalização da produção, com desenvolvimento tecnológico de laboratórios públicos e privados no Brasil. A fabricação desses medicamentos no país reduz dependência externa, permite estabilidade de estoque de fármacos e, assim, pode “ampliar o acesso da população a terapias de alta complexidade”, como avalia o Ministério da Saúde. Brasil e Índia assinaram também termo aditivo de memorando de entendimento prorrogando a cooperação bilateral em saúde por mais cinco anos. O acordo inclui “produção de medicamentos, vacinas e insumos farmacêuticos ativos, biofabricação, inovação produtiva, desenvolvimento de biológicos, saúde digital, telessaúde e inteligência artificial”, conforme o Ministério da Saúde. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) assinou com o Central Drugs Standard Control Organization, instituição homóloga da Índia, memorando de entendimento para a “troca de informações regulatórias” sobre medicamentos, insumos e dispositivos médicos. E a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) firmou memorandos de entendimento com laboratórios farmacêuticos indianos, para realização de pesquisa, desenvolvimento e produção de medicamentos considerados “estratégicos” pelo Ministério da Saúde.