
Brasil e Índia: Acordo Estratégico em Terras Raras
Num périplo de oito dias pela Ásia, Luiz Inácio Lula da Silva esteve na Índia, onde assinou um acordo com Narendra Modi para fortalecer a cooperação em terras raras entre os dois países do BRICS.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, está atualmente na Índia para uma visita oficial. Ele se encontrou com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, em Nova Delhi, onde os dois líderes formalizaram um significativo acordo de cooperação técnica voltado para a exploração de minério e terras raras. Em suas declarações após a reunião, Lula ressaltou: “O investimento crescente em cooperação nas áreas de energias renováveis e minerais críticos está no cerne do acordo pioneiro que assinamos hoje. Nossos países estão assegurando o espaço que essas tecnologias merecem na agenda climática e energética global”, conforme reportado pela EFE. Modi, em uma conferência conjunta, chamou o acordo de um "passo importante para a construção de cadeias de abastecimento resilientes". Lula chegou à Índia no dia 18 e está no país para uma viagem que se estenderá por oito dias pela Ásia. Ele é acompanhado por uma comitiva que inclui 11 ministros, empresários brasileiros e sua esposa, que seguiu para a Coreia do Sul, onde se reunirá novamente com ele mais tarde. O presidente brasileiro enfatizou que Brasil e Índia enfrentam "problemas similares", apesar das diferenças em suas populações, que são notáveis dentro do contexto do BRICS. "Os conhecimentos científico-tecnológicos são próximos entre os nossos países", afirmou Lula, que tem a intenção de fortalecer os laços diplomáticos entre a América do Sul e a Índia, especialmente na área de defesa, com o objetivo de "fortalecer o Sul Global" e garantir que "nunca haja uma guerra entre as duas potências". Modi, por sua vez, sublinhou que a cooperação no setor de defesa entre as nações continua a se expandir. Enquanto a economia da Índia cresce a um ritmo acelerado—cerca de 6% ao ano nos últimos cinco anos—o país busca aprimorar suas cadeias de abastecimento por meio da "Missão de Minerais Críticos", que isenta de impostos a entrada de 25 minerais essenciais para o desenvolvimento tecnológico. O Brasil, com suas reservas robustas de alguns desses minerais, como 90% do nióbio, um elemento crucial para a fabricação de ligas de aço e, consequentemente, para a produção de veículos elétricos, painéis solares, smartphones e semicondutores, se posiciona como um parceiro estratégico. Com o objetivo de diminuir a dependência de matérias-primas da China, o governo indiano está em busca de novas fontes de abastecimento. Narendra Modi destacou que "o Brasil é o principal parceiro comercial da Índia na América Latina" e expressou o compromisso de aumentar o valor do comércio bilateral para mais de 20 bilhões de dólares nos próximos cinco anos. A Índia importa do Brasil uma variedade de produtos, incluindo açúcar, petróleo bruto, óleos vegetais, algodão e minério de ferro. Após o anúncio de investimentos empresariais de cerca de 300 bilhões de dólares em infraestrutura digital na Índia, Modi enfatizou a urgência desse novo acordo com o Brasil, que é visto como um corredor vital para sustentar a revolução tecnológica do país. O acordo assinado sobre minerais críticos e terras raras, portanto, representa um passo significativo na construção de cadeias de abastecimento mais robustas e interligadas. Há muito mais para explorar sobre este tema.