Brasil Criativo: Cultura e Futuro Econômico em 2026

Em 2023, a economia criativa do Brasil alcançou R$ 393,3 bilhões, destacando a importância da cultura no desenvolvimento social e econômico do país.

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Foto: Juliana Uepa/Ascom MinC

Em 2023, a economia criativa brasileira movimentou impressionantes R$ 393,3 bilhões, o que representa 3,59% do nosso Produto Interno Bruto (PIB). Esses dados vêm do Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil 2025, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). No ano seguinte, 2024, o Brasil contava com aproximadamente 5,8 milhões de profissionais atuando no setor criativo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esses números revelam uma riqueza que já está sendo gerada no país, mas que ainda precisa ser plenamente reconhecida como uma estratégia de desenvolvimento.

Diante desse cenário, a questão não é se devemos investir em cultura e criatividade em um país que enfrenta tantas desigualdades sociais. O que precisamos discutir é como podemos aproveitar melhor nossa capacidade criativa para gerar mais trabalho, renda, inovação e oportunidades, ampliando, assim, as possibilidades de desenvolvimento do Brasil.

Vamos voltar um pouco no tempo. Em 1986, no contexto da redemocratização brasileira, o economista Celso Furtado deixou sua posição como chefe da missão diplomática brasileira na Comunidade Econômica Europeia para assumir o Ministério da Cultura, sob o governo de Sarney. Sua nomeação foi fruto de um grande abaixo-assinado promovido por artistas, intelectuais e economistas, com o apoio de figuras como a atriz Fernanda Montenegro e o cantor e compositor Gilberto Gil. Naquela época, uma pergunta era frequentemente levantada nas entrevistas sobre a criação da pasta: “Num país que passa fome, é realmente necessário um Ministério da Cultura?”

Quase quatro décadas depois, essa mesma pergunta ainda ecoa. A fragilidade institucional da cultura continua a ser um tema de debate, especialmente quando se defende que, em nome da contenção de gastos, o setor cultural deve ser excluído das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do país. Essa perspectiva ignora não apenas a dimensão simbólica da cultura, mas também sua capacidade de impulsionar a economia e transformar realidades.

Por outro lado, o reconhecimento internacional da importância da cultura tem crescido. Em 4 de setembro deste ano, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou a Década Internacional da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável, que ocorrerá de 2027 a 2036. Essa iniciativa reafirma o papel da cultura na construção de sociedades mais inclusivas, resilientes e sustentáveis.

Num mundo em que as desigualdades estão se acentuando, a cultura se torna cada vez mais estratégica nas agendas de desenvolvimento. A economista Mariana Mazzucato, que colabora com o Ministério da Cultura, aborda essa conexão em seu livro mais recente, A Economia do Bem Comum. Nela, Mazzucato reflete sobre a cultura como um meio e um fim: não apenas um objetivo da política econômica, mas uma condição para transformar a própria economia.

Esse não é um esforço isolado. Diversos países estão formulando e implementando políticas que integram cultura e economia, focando em bens e serviços que envolvem valor simbólico, tecnologia e inovação. O objetivo é criar ambientes que favoreçam negócios que articulem identidade cultural, sustentabilidade e competitividade em mercados tanto nacionais quanto internacionais. Em um momento em que a institucionalidade da cultura no Brasil está novamente sob ameaça, essa discussão se torna mais urgente do que nunca.

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