Brasil atinge 35% de empreendedores com CNPJ em 2026
Dados recentes revelam que 10,7 milhões de empreendedores brasileiros estão formalizados, destacando a evolução da formalização no país.

No Brasil, em 2025, 35 a cada 100 empreendedores possuíam registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), totalizando cerca de 10,7 milhões de pessoas. Este número representa o maior percentual já registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2025, o país contava com 103 milhões de pessoas ocupadas, das quais 30,6 milhões eram consideradas empreendedoras, incluindo empregadores e trabalhadores autônomos. Curiosamente, quase 20 milhões, ou seja, 65% desse total, não possuíam CNPJ.
Esses dados foram divulgados em uma edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, publicada nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026. Esta pesquisa é realizada desde 2012, exceto nos anos de 2020 e 2021, quando a pandemia de covid-19 impediu a coleta de informações.
Um panorama interessante: em 2012, apenas 24% dos empreendedores tinham CNPJ. Já no último ano antes da pandemia, esse número aumentou para 29,3%. Em 2024, a proporção atingiu 33,6%. Ter um registro no CNPJ traz várias vantagens, como a possibilidade de emitir notas fiscais, acessar crédito e serviços bancários voltados para empresas, além de contratar funcionários de forma formal e ter benefícios previdenciários. Essa formalização é benéfica para a economia, contribuindo com tributos.
Vamos analisar a evolução da proporção de empreendedores que possuem CNPJ: o IBGE categoriza os empreendedores em empregadores e trabalhadores por conta própria. Um trabalhador por conta própria é aquele que explora seu próprio negócio, enquanto o empregador é quem tem pelo menos um empregado sob sua gestão. Entre os empregadores, 81,1% têm CNPJ, um nível que se manteve em pelo menos 80% desde 2019, o que o IBGE considera uma estabilidade em um patamar elevado.
Do lado dos trabalhadores autônomos, a taxa chegou a 27,1%, o maior número da série histórica. Em 2012, esse percentual era de apenas 15%. Apesar do recorde em 2025, o analista da pesquisa, William Kratochwill, observa que esse índice ainda é considerado “baixo” e está ligado ao nível de instrução dos trabalhadores. “O trabalho por conta própria, em sua grande maioria, é realizado por pessoas com menor nível de instrução”, explica.
Ele acrescenta: “A taxa de registro está fortemente ligada ao nível de instrução. Quanto mais instruída a pessoa, mais preparada ela está para o mercado”. Um dado revelador mostra que, pela primeira vez na série histórica, mais da metade (50,8%) dos trabalhadores por conta própria com nível superior tinham registro formal. Aqueles com ensino médio completo e superior incompleto também apresentaram números acima da média (29,7%). Por outro lado, os que tinham ensino fundamental completo e médio incompleto mostraram apenas 18,6%, enquanto os sem instrução ou com fundamental incompleto estavam ainda abaixo, com 11%.
De acordo com Kratochwill, o aumento do registro no CNPJ entre os trabalhadores autônomos mais instruídos é impulsionado por iniciativas governamentais que visam a desburocratização e a redução de custos, como o programa Microempreendedor Individual (MEI). “Esse programa facilita o registro e torna mais simples para a pessoa legalizar e registrar sua empresa”, conclui.