
Bradesco sofre rebaixamento e JPMorgan reduz preço-alvo em 30%
Ações BBDC4 despencam após reavaliação do JPMorgan e Itaú BBA, refletindo um cenário desafiador para os bancos brasileiros em 2027.
Reprodução Redes Sociais
As ações do Bradesco (BBDC4) enfrentaram um novo desafio nesta quinta-feira, 29 de outubro de 2026. Após o Itaú BBA rebaixar a recomendação do banco de 'compra' para 'neutra', o JPMorgan seguiu o mesmo caminho, cortando sua avaliação para 'neutra' e abandonando a classificação anterior de 'overweight'. Além disso, o banco ajustou o preço-alvo para dezembro de 2027, reduzindo-o de R$ 26 para R$ 18, representando uma queda de quase 31%. Às 10h57, as ações BBDC4 estavam em queda de 2,04%, cotadas a R$ 14,38.
Esse rebaixamento reflete uma visão mais cautelosa do mercado em relação aos bancos brasileiros após as eleições, exacerbada por previsões de um ambiente macroeconômico desafiador em 2027. O cenário inclui crescimento mais fraco do crédito, juros elevados e deterioração na qualidade dos ativos. O Itaú BBA já havia alertado sobre a combinação de atividade econômica fraca e aumento das provisões para perdas com crédito, limitando os avanços de rentabilidade.
Rodrigo Sgavioli destacou que, embora o investimento não se torne mais difícil, exigirá uma abordagem cuidadosa e prazos curtos na renda fixa, além de um posicionamento tático dos investidores. O JPMorgan também alertou sobre uma possível interrupção na melhora da rentabilidade do Bradesco, projetando uma queda no retorno sobre patrimônio (ROE) de cerca de 15% em 2026 para 14% em 2027, com um crescimento modesto do lucro líquido de apenas 2%, totalizando aproximadamente R$ 27,9 bilhões.
Os desafios incluem a desaceleração nas linhas de crédito que sustentam a expansão da carteira do Bradesco. Os analistas preveem uma diminuição do impulso no crédito consignado privado e na carteira para pequenas e médias empresas, além de um crescimento da carteira de crédito que deve recuar para cerca de 6% nos próximos trimestres.
Como resposta ao sell-off pós-eleições, o banco atualizou sua carteira recomendada, reforçando posições em setores como utilities, construtoras e exportadoras, enquanto alerta para um cenário macroeconômico desafiador em 2027. A pressão sobre a margem financeira dos clientes (NII) deve continuar, resultando em uma redução de 10 pontos-base na margem financeira, devido ao crescimento mais lento dos volumes e à compressão dos spreads. A qualidade dos ativos também é uma preocupação, com o JPMorgan prevendo uma deterioração nas carteiras de pessoas físicas e empresas em 2027, elevando o custo do risco.