Bradesco registra lucro de R$ 7,1 bilhões, mas inadimplência preocupa
Apesar de um crescimento de 15% no lucro, aumento da inadimplência e queda nas ações levantam preocupações para o futuro do Bradesco.
23/10/2026, 10h32 Atualizado há 26 minutos
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O Bradesco (BBDC4) deu início à temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 (3T26) e, ao final do período, reportou um lucro recorrente de R$ 7,1 bilhões. Esse valor representa um crescimento de cerca de 15% em comparação ao ano anterior, alinhando-se, de maneira quase exata, às expectativas do mercado. No entanto, é importante ressaltar que a composição desse resultado não é tão favorável quanto parece à primeira vista. A deterioração da qualidade da carteira de crédito, a compressão dos spreads e um enfraquecimento nos resultados do setor de seguros foram fatores que chamaram a atenção dos analistas. Por volta das 10h30 (horário de Brasília), as ações do banco apresentavam uma queda de cerca de 2% nesta manhã de sexta-feira (23).
O Bradesco também marcou o 11º trimestre consecutivo de crescimento no lucro recorrente, embora o ritmo tenha sido o mais lento dessa sequência, com um avanço trimestral de apenas 0,8%. O retorno sobre o patrimônio (ROE) foi de 15,6%, subindo para 16,1% se desconsiderarmos o aumento de capital de R$ 10 bilhões realizado no trimestre. O banco ainda mantém sua orientação para 2026.
De acordo com a análise do Itaú BBA, o resultado foi considerado em linha, mas com uma “composição negativa” que pode impactar as previsões para 2027. Os analistas observaram que o crescimento das receitas foi modesto e a deterioração da carteira resultou em um aumento nas despesas com provisões. A recomendação do banco é outperform, com um preço-alvo de R$ 22 para o final de 2027.
A XP, por sua vez, classificou o trimestre como misto. Apesar do avanço no controle de custos, que ajudou a sustentar os lucros, a corretora enfatiza que os custos de crédito ainda consomem uma parte significativa do crescimento das receitas, impedindo uma expansão mais robusta da rentabilidade. A recomendação da XP se manteve neutra.
Um dos principais pontos de preocupação entre os analistas foi o aumento da inadimplência. O índice de empréstimos com atraso superior a 90 dias (NPL) subiu para 4,6%, representando um avanço de 30 pontos-base em relação ao segundo trimestre. Essa deterioração foi mais evidente nos segmentos de pequenas e médias empresas, além de pessoas físicas. Além disso, o índice de cobertura caiu para 143%, ante 152% três meses antes.
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A XP destacou que essa piora foi impulsionada, em grande parte, por linhas de crédito para pequenas empresas garantidas pelo governo e por operações rurais, o que fez com que as provisões aumentassem mais rapidamente do que a margem financeira do banco. A margem financeira ajustada ao risco recuou de 4,5% para 4,2%.
O JPMorgan também se atentou para o aumento inicial da inadimplência e a diminuição da cobertura, mas ressaltou que grande parte dessa piora nas pequenas empresas está ligada a operações com garantia pública, as quais podem permitir recuperações futuras.
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Seguindo essa linha, o Goldman Sachs observou que a formação de novos créditos problemáticos se manteve acima do ritmo de constituição de provisões, o que pressionou a cobertura e elevou o custo de risco. A recomendação da casa para as ações permaneceu neutra.
