Bolsa cresce 1,3% e alcança o maior patamar em quase quatro meses
© REUTERS/Amanda Perobelli/Proibida reprodução
Apesar das incertezas que pairam sobre o cenário internacional, a alta nos preços do petróleo no exterior acabou por beneficiar o mercado financeiro brasileiro. O dólar, por exemplo, caiu para R$ 5,15, enquanto a bolsa de valores avançou mais de 1%, alcançando seu maior patamar em quase quatro meses.
Os conflitos em escalada entre Estados Unidos e Irã geraram um efeito positivo nos ativos brasileiros, com a Petrobras destacando-se especialmente no Ibovespa.
Principais Números
No fechamento do pregão desta terça-feira (1º), o dólar comercial registrou uma queda de 0,54%, sendo negociado a R$ 5,153. Com esse resultado, a moeda americana acumula uma desvalorização de 6,12% ao longo do ano.
Logo no início da sessão, o dólar chegou a ser cotado a R$ 5,20, impulsionado pela divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do segundo trimestre. Os dados mostraram uma desaceleração na economia, o que levou a uma percepção crescente de que o Banco Central poderia considerar uma nova redução na Taxa Selic, atualmente fixada em 14% ao ano.
Na prática, a expectativa de juros menores tende a tornar o Brasil menos atraente para investidores estrangeiros. No entanto, ao longo da manhã, o dólar perdeu força e passou a operar em baixa, acompanhando a tendência de outras moedas de países emergentes e a alta do petróleo. Por volta das 14h20, a cotação chegou a R$ 5,13.
Vale destacar que a queda do dólar em relação a outras divisas emergentes ocorreu em um contexto oposto ao das moedas das economias avançadas. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas, subia 0,27%, alcançando 99,681 pontos no final da tarde.
O Ibovespa, por sua vez, fechou em alta de 1,3%, alcançando 179.722,48 pontos, após ultrapassar os 181 mil pontos pela primeira vez em quase quatro meses. Esse resultado representa o nível mais alto desde 12 de maio.
As ações da Petrobras, que são as mais negociadas na bolsa, impulsionaram essa alta, refletindo a forte valorização do petróleo no cenário internacional. Os papéis preferenciais da empresa, que têm preferência na distribuição de dividendos, subiram 4,11%, enquanto as ações ordinárias, que conferem direito de voto em assembleias, avançaram 4,14%.
Além disso, a alta do petróleo beneficiou outras empresas do setor no Brasil. O mercado também monitorou o anúncio da Petrobras sobre um aumento de 13,9% no preço médio de venda do querosene de aviação (QAV).
Outro ponto a ser observado foi a produção brasileira de petróleo, que atingiu um recorde de 4,5 milhões de barris por dia em julho, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Por fim, o resultado do PIB também chamou a atenção dos investidores. A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre em comparação ao primeiro, que já havia mostrado uma expansão de 1,1%. No entanto, os dados indicam uma perda de ritmo na atividade econômica, com uma retração no consumo das famílias e menos dinamismo na indústria, reforçando, assim, as expectativas de novos cortes na Selic.
Na última sessão de agosto, o mercado acionário brasileiro registrou uma saída líquida de R$ 130 milhões em capital estrangeiro. No acumulado de agosto até o dia 28, o saldo negativo já se aproximava de R$ 1 bilhão.