Bolívia firma acordo de US$ 1,9 bilhão com FMI e elimina subsídios
Em meio a uma crise econômica, Bolívia aprova empréstimo do FMI e suspende subsídios ao diesel, impactando transporte e economia local.
19 de setembro de 2026, 10h04
Atualizado há 52 minutos
Na última sexta-feira, dia 18, os legisladores da Bolívia deram um passo importante ao aprovar um empréstimo de US$ 1,9 bilhão com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Essa aprovação representa uma vitória para o governo conservador, que busca maneiras de enfrentar a severa crise econômica que o país atravessa. Em um momento delicado, os sindicatos estavam à beira de retomar os protestos, o que torna essa decisão ainda mais significativa.
Logo após a aprovação do empréstimo pelo Congresso, o presidente Rodrigo Paz anunciou a suspensão imediata dos subsídios ao diesel, utilizado por caminhões, ônibus e tratores na Bolívia. Essa medida é uma resposta direta às exigências do FMI. Por outro lado, a gasolina, mais utilizada em veículos particulares, ainda receberá subsídios, pelo menos por enquanto. Vale lembrar que La Paz já havia começado a reduzir esse apoio nos últimos meses.
Em uma sequência de eventos, o Senado ratificou o acordo com o FMI no dia seguinte à aprovação pela Câmara dos Deputados, superando assim o último obstáculo legislativo. Esse programa de financiamento, que se estende por três anos, visa restaurar as reservas internacionais em queda e estabilizar uma economia que enfrenta inflação elevada e baixo crescimento.
O FMI havia anunciado o acordo em nível técnico em julho, após meses de negociações intensas com o governo de Paz, que promove uma agenda favorável ao livre mercado. Essa mudança ocorre após quase duas décadas sob governos socialistas, alinhando-se a uma nova geração de líderes na América Latina, que se aproximam da administração Trump.
Ainda assim, o programa precisa ser aprovado pela diretoria executiva do FMI antes que os recursos sejam efetivamente liberados. O ministro da Economia, Christian Morales, comentou que a aprovação desse acordo poderia aumentar a confiança dos credores, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, além de ajudar a garantir cerca de US$ 5 bilhões em financiamento adicional.
Porém, é importante destacar que essa assistência vem acompanhada de exigências rigorosas, incluindo a eliminação dos subsídios aos combustíveis. Isso pode reacender a agitação na Bolívia, um país que já experimentou semanas de bloqueios de estradas em junho e julho, quando manifestantes exigiam a renúncia de Paz. Para lidar com essa tensão, na quinta-feira, o Congresso decidiu prorrogar por mais 90 dias o estado de emergência decretado por Paz, uma medida que permite a intervenção militar e a suspensão de algumas liberdades civis. (AP)


