
BNP Paribas: Lucros Crescem 13,5% com Aumento na Negociação de Ações
Banco francês reporta lucro de 3,46 bilhões de euros, superando expectativas e destacando forte desempenho no terceiro trimestre de 2026.
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O maior banco francês, BNP Paribas, anunciou um lucro líquido de 3,46 bilhões de euros no terceiro trimestre de 2026, marcando um aumento de 13,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este resultado surpreendeu analistas, que esperavam um lucro de 3,23 bilhões de euros. Um dos principais fatores para esse resultado positivo foi um impressionante aumento de 50% nas receitas de negociação de ações. Além disso, o BNP Paribas revelou planos de recomprar 1,3 bilhões de euros em ações próprias a partir de novembro, sublinhando que sua exposição à crise orçamentária na França é limitada. As receitas totais cresceram 9,5%, alcançando 13,76 bilhões de euros, impulsionadas pela área de banca corporativa e institucional, que registrou um aumento de 16,6%, totalizando 5,2 bilhões de euros. Dentro dessa divisão, as receitas de mercados globais avançaram 21,9%, para 2,67 bilhões de euros, quase alcançando um recorde anterior. A área de ações e serviços de prime brokerage, que inclui a negociação de títulos e serviços como empréstimos e compensação para fundos de hedge, gerou 1,46 bilhões de euros, um aumento expressivo de 50%. Por outro lado, a negociação de dívida, moedas e matérias-primas manteve-se estável em 1,22 bilhões de euros, com crescimento na Ásia e no setor de câmbio compensando a fraqueza em crédito e taxas de juros. "O Grupo teve um terceiro trimestre muito forte, impulsionado pelo desempenho operacional das três divisões", comentou o CEO Jean-Laurent Bonnafe. Na divisão de banca comercial, que atende a famílias e empresas, as receitas aumentaram 3,6%, beneficiadas pelo contexto de taxas de juros e comissões mais elevadas. Entretanto, o segmento de aluguel de automóveis enfrentou dificuldades, com a Arval e a Leasing Solutions registrando uma queda de 29,1% nas receitas, devido à desvalorização dos preços dos veículos usados. O custo do risco, que é o valor reservado para cobrir créditos que podem não ser reembolsados, cresceu para 964 milhões de euros, representando 39 pontos base dos empréstimos aos clientes, ainda dentro da meta do banco para 2026, que é manter-se abaixo de 40 pontos base. O BNP também informou que seu índice Common Equity Tier 1 (CET1), um dos principais indicadores de solidez financeira, estava em 12,9% no final de setembro e espera que esse índice supere 13% até o final do ano, impulsionado pela venda da BMCI, sua subsidiária marroquina. Este programa de recompra, já aprovado pelo Banco Central Europeu, antecede o pagamento dos lucros de 2026. O banco reafirmou suas metas até 2028, incluindo uma rentabilidade sobre o capital próprio tangível de 12% para este ano, com expectativa de que esse número ultrapasse 13% em 2028. Um novo plano estratégico para 2030 será apresentado no dia 2 de fevereiro. Vale ressaltar que as ações do banco caíram cerca de 1,5% na abertura da sessão desta quarta-feira em Paris, e esses resultados chegam em um momento de crise política e orçamentária na França. Recentemente, a rentabilidade dos títulos do Tesouro francês a 10 anos superou 5% pela primeira vez desde 2002, em um cenário onde um Parlamento dividido enfrenta dificuldades para aprovar o orçamento do próximo ano.