Bloco de Brasília: Carnaval Inclusivo para Pessoas com Deficiência
"Deficiente é a mãe" luta há 14 anos por inclusão nos dias de folia.

No carnaval, muitos locais ainda apresentam barreiras que dificultam a circulação e a permanência de pessoas com deficiência (PCD). A escassez de rampas, calçadas adequadas e piso tátil, além da limitada oferta de transporte público e áreas reservadas com boa vista, complicam a experiência para quem utiliza cadeira de rodas. A falta de intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) também é um desafio significativo. Reconhecendo que a acessibilidade é um direito, a historiadora Lurdinha Danezy Piantino fundou, há 14 anos, o bloco de carnaval 'Deficiente é a mãe' junto a pais e representantes de organizações voltadas para PCDs. Este bloco visa combater o capacitismo, a discriminação que marginaliza pessoas com deficiência e subestima suas habilidades. Lurdinha afirma: 'A pessoa com deficiência deve ocupar todos os espaços sociais e culturais. O carnaval, sendo o evento cultural mais importante do ano, não pode ser exceção.' Lúcio Piantino, filho de Lurdinha, é um artista multifacetado que se transforma na icônica Úrsula Up, a primeira Drag Queen com síndrome de Down do Brasil. Ele acredita que os blocos são fundamentais para promover a inclusão: 'Sinto-me ótimo. É a vida, que é muito boa.' Luiz Maurício Santos, um servidor público aposentado que usa cadeira de rodas, destaca a importância de mobilizar mais pessoas com deficiência para participar do carnaval. Francisco Boing Marinucci, de 22 anos e diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), é um dos participantes assíduos do bloco, sempre acompanhado de sua mãe, Raquel. Neste ano, eles homenageiam os personagens do Sítio do Picapau Amarelo. Raquel acredita que o bloco é inclusivo e proporciona um ambiente seguro para todos. 'A inclusão verdadeira ainda é um desafio para jovens e adultos com deficiência intelectual.'
