BlackRock Reavalia Ações e Aumenta Títulos em Mercados Emergentes
BlackRock recomenda aumento na alocação de títulos em moeda local de mercados emergentes, destacando Brasil, Colômbia e México como oportunidades promissoras.
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A BlackRock está fazendo uma recomendação interessante: aumentar a alocação em dívida de mercados emergentes, com destaque para países como Brasil, Colômbia e México. Axel Christensen, o estrategista-chefe da gestora para a América Latina, enfatiza que os títulos em moeda local apresentam "uma combinação muito atrativa de retorno e risco". Contudo, a situação muda um pouco quando se fala em ações. A partir do segundo semestre, a recomendação é passar de uma alocação acima da média em emergentes para uma postura neutra.
"Olha, no primeiro semestre, tivemos resultados realmente positivos. Essa redução não significa que estamos nos afastando dos emergentes, mas sim que estamos realizando alguns lucros", explicou Christensen durante uma apresentação a jornalistas sobre o relatório de perspectivas globais para o segundo semestre. Ele ressaltou que a abordagem será mais seletiva quando se trata de ações latino-americanas.
O ponto aqui é que a América Latina não tem a mesma representatividade que a Ásia nos índices de mercados emergentes. Para se ter uma ideia, Brasil, México e outros países juntos representam menos de 10% desses índices mais amplos. Em contrapartida, na renda fixa, a situação é diferente. Christensen destacou que esses países superaram a volatilidade que costumava caracterizá-los no passado e, atualmente, apresentam uma resiliência considerável. "Não estamos vendo crises graves, mesmo com o ciclo de altas taxas de juros nos EUA e a incerteza geopolítica recente decorrente do conflito no Oriente Médio", afirmou.
Ele também comentou que, na região, o comportamento de vários mercados está menos relacionado à inteligência artificial e ao conflito no Oriente Médio, e mais ligado a fatores específicos ou globais. Um exemplo mencionado foi a Colômbia, que teve seus ativos impactados pelas recentes eleições. "As economias em mercados emergentes, especialmente na América Latina, têm características peculiares que podem proporcionar uma diversificação valiosa em um cenário atual que, se não analisado com cuidado, pode resultar em uma concentração maior em tecnologia e inteligência artificial do que desejável", observou.
Falando especificamente do Brasil, ele ressaltou que o país é uma fonte crucial de minerais críticos, essenciais não apenas para a inteligência artificial, mas também para a transição energética e a redução de emissões. "Dessa forma, acreditamos que a demanda por produtos das empresas brasileiras do setor de mineração permanecerá estruturalmente alta", avaliou. Além disso, o Brasil está se estabelecendo como um ator importante em um novo arranjo geopolítico global. "Temos visto países como o Brasil utilizando sua dimensão e influência para assegurar não apenas minerais críticos, mas também produtos essenciais como alimentos e energia."
Christensen também mencionou que o Brasil precisará de investimentos significativos em infraestrutura, como a expansão dos portos e o aumento da oferta de energia renovável. "A combinação do papel fundamental do Brasil na inteligência artificial, na transição energética e nos novos arranjos geopolíticos está colocando o país no centro das atenções dos investidores", concluiu o estrategista-chefe.