Berlinale 2026: Cinema e Política em Evidência na Abertura
Apesar do céu cinzento, o arranque da 76.ª Berlinale contou com muitas celebridades. Oficialmente, a política deve ficar de fora – mas, na passadeira vermelha, vários convidados quiseram marcar a sua posição.

Na última quinta-feira, Berlim se apresentou sob um céu cinzento e chuvoso. Contudo, na Potsdamer Platz, um brilho dourado e vermelho trouxe à capital uma atmosfera festiva. Celebridades do cinema de várias partes do mundo se reuniram para a gala de abertura da 76.ª Berlinale. Entre os astros estavam nomes como Sean Baker, Bella Ramsey, Neil Patrick Harris, Iris Berben, Daniel Brühl, Lars Eidinger, Karoline Herfurth, Frederick Lau e Matthias Schweighöfer. Apesar da chuva, a passadeira vermelha se encheu de fãs que, sob seus guarda-chuvas, esperavam ansiosamente para vislumbrar suas estrelas favoritas e, quem sabe, conseguir um autógrafo.
Cinema e Política: Uma Relação Intrínseca
Embora a noite fosse, em teoria, dedicada à arte do cinema, o júri parecia ter outra visão. Durante a conferência de imprensa que antecedeu a cerimônia, os jurados decidiram não se envolver em questões políticas. "Não nos metemos na política", declarou o presidente do júri, Wim Wenders, ao ser questionado sobre a situação na Palestina. Mas na passadeira vermelha, a realidade revelou que cinema e política estão intrinsecamente ligados. A escritora e jornalista Düzen Tekkal, por exemplo, fez questão de usar sua visibilidade para chamar atenção para a situação no Irão. Junto a Banafshe Hourmazdi, Jasmin Tabatabei e Pheline Roggan, ela segurou cartazes que diziam “Irão Livre” e “Rojava no meu coração”.
A política também foi representada pela política do Partido Verde alemão, Karin Göring Eckardt, que exibia uma mensagem que dizia: "recordar não é uma violação", parte de uma campanha ucraniana em relação aos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina. Outros convidados, em um gesto coletivo, trouxeram uma citação de Hannah Arendt, afirmando que ninguém tem o direito de desobedecer, posicionando-se contra o fascismo e reivindicando ser mais do que apenas espectadores.
Curiosamente, as mensagens políticas dessa vez vieram, em sua maioria, dos convidados da gala, enquanto os cineastas mais renomados mantinham uma postura mais reservada, focando nas suas aparições diante das câmeras. Em entrevista à Euronews, Lars Eidinger comentou que sua presença ali se devia, principalmente, aos filmes. "Não quero saber de mais nada", disse ele, enfatizando que eventos de relações públicas e jantares glamorosos não estão entre suas prioridades. Este ano, Eidinger retorna às telonas com o filme "Die Blutgräfin", de Ulrike Ottinger e Elfriede Jelinek, que fará sua estreia mundial na Berlinale. Essa estreia é especial para o realizador, que ainda não teve a chance de ver o filme finalizado, como ele mesmo mencionou à Euronews. "Às vezes, viemos à Berlinale para ver os filmes que nós próprios fizemos", refletiu.
Por outro lado, Matthias Schweighöfer expressou sua empolgação em rever colegas e amigos do setor. Para ele, o verdadeiro destaque do evento é "reencontrar todo mundo. O fato de todos estarem juntos. É simplesmente maravilhoso", compartilhou à Euronews. Esse entusiasmo foi palpável entre os fãs, que, ao lado de sua esposa Ruby O. Fee, o acolheram com aplausos calorosos.
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