Benefícios da Construção de Data Centers no Brasil para a Economia
Entenda como o aumento de data centers pode impactar a balança comercial brasileira e a competitividade do setor de TI.
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Data de publicação original: 16/08/2026, 17:10. Em um levantamento recente, descobrimos que, de um total de 12.199 data centers espalhados pelo mundo, quase 40% estão localizados nos Estados Unidos. Essa informação vem do site DataCenter Map, que reúne tanto centros em operação quanto aqueles ainda em fase de planejamento. No Brasil, o cenário mostra 218 data centers, superando a Rússia (188) e o México (66), mas ainda representando apenas 1,78% do total global.
As empresas do setor de tecnologia da informação e comunicação apontam que a principal barreira para aumentar essa participação está nos altos custos de construção de um data center no país. Para se ter uma ideia, para implementar um centro de dados de grande porte, com capacidade de 100 megawatts (MW), o investimento no Brasil é 34% maior do que nos Estados Unidos. Essa estimativa é da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais (Brasscom).
Ricardo Ferreira da Costa, gerente sênior de tributos indiretos na EY Brasil, elucida a situação: “Os Estados Unidos não têm uma tributação tão focada no consumo e, sim, na renda.” Em relação aos data centers, essa diferença se deve, em grande parte, à carga tributária que incide sobre os equipamentos. Affonso Nina, presidente da Brasscom, destaca: “É aqui, nos equipamentos de computação, onde estamos perdendo o jogo para o resto do mundo.” A carga tributária média sobre esses equipamentos gira em torno de 35%, enquanto em outros países a média fica entre 5% e 10%.
Ao analisar os investimentos necessários para um data center, é interessante notar que 70% desse montante se refere a equipamentos de computação, enquanto os 30% restantes são destinados à infraestrutura física, incluindo a construção civil.
Outro ponto importante é que, devido ao consumo elevado de energia desses centros, as despesas operacionais — também conhecidas como “opex” — são significativamente impactadas. Costa, da EY Brasil, chama a atenção para a alta tributação sobre a energia elétrica no Brasil, que varia de 17% a 24%, dependendo do estado.
No panorama geral, mesmo que houvesse uma redução — ainda que improvável — na tributação sobre a energia, isso não seria suficiente para compensar a carga tributária elevada sobre os equipamentos de computação. Nina reconhece: “É claro que se você alterasse, por exemplo, o ICMS da energia para os data centers, o Brasil poderia se tornar mais competitivo em termos de custo.” Contudo, ele ressalta que a questão é uma escolha de prioridades. “Reduzir o ICMS ou zerá-lo sobre a energia consumida por um data center não traria resultados positivos se a carga tributária sobre os equipamentos permanecesse alta.”
Além disso, uma empresa que recorre a serviços de computação em nuvem a partir de data centers locais acaba pagando de 15% a 20% a mais do que se optasse por infraestrutura no exterior, conforme estimativas da Brasscom.
Entretanto, a decisão de construir um data center no Brasil em vez de simplesmente contratar serviços do exterior não se resume apenas a questões financeiras. É um tema complexo que envolve diversas considerações.
