
BCE mantém juros estáveis; Lagarde destaca inflação em queda
BCE mantém juros após inflação cair para 1,7%. Lagarde considera a política adequada, sublinha a dependência dos dados, riscos equilibrados e reformas na UE para apoiar o crescimento.
O Banco Central Europeu (BCE) decidiu manter as taxas de juro inalteradas nesta quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026. A presidente Christine Lagarde enfatizou que os decisores estão 'numa boa posição', mesmo com a inflação tendo caído abaixo da meta estabelecida. Lagarde destacou que o BCE 'não pode ficar refém de um único dado', reafirmando que a abordagem da instituição permanece dependente de informações, sendo avaliada reunião a reunião.
A reunião teve um significado simbólico, pois a Bulgária foi oficialmente acolhida na zona euro a partir de 1 de janeiro de 2026. Dimitar Radev, governador do Banco Nacional da Bulgária, agora faz parte do Conselho do BCE com direito a voto, marcando um importante passo na trajetória do país em direção à união monetária. Lagarde elogiou essa adesão, considerando-a uma prova da atratividade da moeda única e dos benefícios duradouros que a integração europeia oferece.
Desde 1999, o número de países na zona euro quase dobrou, agora abrangendo 21 nações. Dados preliminares do Eurostat revelaram que a inflação na zona euro caiu para 1,7% em janeiro, em comparação a 2,0% em dezembro e 2,1% em novembro. Essa diminuição foi impulsionada por uma queda acentuada nos preços da energia, que recuaram 4,1% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, a inflação subjacente, que exclui produtos alimentares e energia, desacelerou para 2,2%, o valor mais baixo desde outubro de 2021, enquanto a inflação nos serviços caiu para 3,2%. A inflação dos produtos alimentares, por sua vez, apresentou um leve aumento, chegando a 2,7%.
Lagarde minimizou as preocupações com uma possível desinflação excessiva, atribuindo grande parte da queda aos efeitos de base e ressaltando que isso não altera a trajetória da inflação prevista pelo BCE para o médio prazo. “Não podemos ficar reféns de um único dado”, afirmou ela.
Várias perguntas surgiram sobre se o discurso do BCE havia se tornado mais restritivo. Lagarde rejeitou essa caracterização, sublinhando que a política é 'ágil' e não está direcionada a um caminho previamente definido. O PIB da zona euro cresceu 0,3% no quarto trimestre de 2025, impulsionado principalmente pelos serviços, especialmente nas áreas de tecnologia da informação e comunicação (TIC) e setores relacionados à inteligência artificial.
Quando questionada sobre a inteligência artificial, Lagarde desmentiu a noção de que a Europa estaria ficando para trás, destacando o aumento do investimento privado em atividades ligadas à IA. Ela descreveu o investimento em TIC como 'a grande história' por trás da resiliência da demanda interna, enfatizando que isso vai além do software, incluindo também centros de dados, equipamentos de informática e infraestrutura de suporte. Mais importante ainda, apresentou a IA como uma potencial fonte de ganhos de produtividade, pelo menos por enquanto, não como um risco inflacionário.
O setor da construção também mostrou sinais de vigor, impulsionado por investimentos públicos em defesa e infraestrutura. Os dados do mercado de trabalho revelaram uma leve melhora, com a taxa de desemprego caindo para 6,2% em dezembro, em comparação a 6,3% anteriormente. Apesar de uma leve desaceleração na demanda por mão de obra, o BCE não detecta sinais iminentes de tensão e continua a monitorar de perto a evolução da situação. Em resumo, apesar de uma leve desaceleração na demanda por mão de obra, o BCE não detecta sinais iminentes de tensão e continua a monitorar de perto a evolução da situação.


