Bancos Aceleram Crédito Consignado Privado em 2026
Instituições financeiras buscam expandir o crédito consignado privado no Brasil, mesmo com pendências operacionais a serem resolvidas.
Os principais bancos brasileiros intensificaram a concorrência pelo crédito consignado privado no início de 2026, após um período de cautela nos primeiros meses do programa de Crédito do Trabalhador. O mercado, por sua vez, ainda aguarda a solução de algumas pendências operacionais no sistema do DataPrev, responsável pelo processamento dos empréstimos. No entanto, já se observa um aumento na concessão dessa modalidade, como uma estratégia para proteger os balanços financeiros diante da crescente pressão do endividamento e da inadimplência no país.
Em março, a carteira total de consignado para funcionários do setor privado ultrapassou a marca de R$ 100 bilhões, representando um crescimento impressionante de 142% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, conforme dados mais recentes do Banco Central. Vale notar que esse volume ainda representa pouco mais de um quarto do saldo de R$ 384 bilhões do consignado destinado a servidores públicos, o que sugere um espaço considerável para expansão futura, especialmente considerando que o Brasil tem aproximadamente três vezes mais trabalhadores sob o regime CLT do que empregados no setor público.
O crédito consignado é considerado uma forma mais segura de fornecer crédito pessoal, já que as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento. Além disso, o produto permite que uma parte do saldo do FGTS seja utilizada para quitar a dívida em caso de demissão sem justa causa. Esses mecanismos ajudam a reduzir o risco de inadimplência e a limitar as taxas de juros nas operações.
“A alta da Selic alterou a estratégia dos bancos, que estão reduzindo a exposição ao crédito pessoal sem garantia, como o cartão de crédito, e priorizando linhas em que o consumidor pode oferecer um ativo como garantia ou optar pelo consignado”, explica Maria Estela Ferraz de Campos, head de crédito da Integral Group. Esse cenário cria diversas oportunidades para as instituições financeiras, embora também torne a competição no setor mais acirrada. Segundo Marcos Brasiliano Rosa, vice-presidente de Finanças e Controladoria da Caixa Econômica Federal, a disputa será, em grande parte, pela conquista de empresas com um quadro de funcionários mais robusto, em vez de se concentrar apenas na relação direta com clientes pessoas físicas.
A Caixa, que esteve envolvida na elaboração do programa, ainda se encontra nas fases iniciais de implementação do produto. De acordo com Brasiliano, a carteira de consignado CLT alcançou aproximadamente R$ 9 bilhões. Embora esse número represente apenas uma fração do saldo total de R$ 114,2 bilhões do consignado, o maior banco do país planeja aumentar a concessão nos próximos meses. Entre os bancos privados, o Itaú se destaca, com uma carteira que subiu de cerca de R$ 12 bilhões antes do lançamento do programa do governo para R$ 19,5 bilhões no primeiro trimestre. O banco lidera o segmento, com uma participação de mercado de pouco mais de 20%. “Estamos crescendo de forma consistente, focando nos clientes certos e, naturalmente, com uma perspectiva de rentabilidade adequada”, comentou o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, durante uma teleconferência com analistas para discutir os resultados.
No Bradesco, o crédito privado ainda representa 6% do portfólio de consignado, mas essa proporção vem aumentando progressivamente.