Banco da Inglaterra: Aumento de juros não é inevitável, afirma Bailey
Em audiência, presidente do BoE destaca que decisões sobre juros dependem da economia e fatores geopolíticos, não apenas do tempo.
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Por Reuters — Londres
08/09/2026, 14h27
Nesta terça-feira, 8 de setembro, o presidente do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey, enfatizou que a possibilidade de um aumento nas taxas de juros não é meramente uma questão de tempo, mas sim uma situação que depende do desenrolar da economia e dos fatores geopolíticos.
Bailey ressaltou que os investidores têm precificado aumentos nas taxas de juros de maneira excessiva, o que não se justifica apenas pela trajetória esperada da política monetária do BoE. Ele mencionou que isso representa um “prêmio de risco”, refletindo preocupações legítimas em torno de novos aumentos nos preços de energia.
Durante uma audiência com parlamentares, tanto Bailey quanto outros três membros do Comitê de Política Monetária (MPC) reafirmaram suas posições, à medida que se aproxima o anúncio da taxa de juros do BoE, previsto para 17 de setembro.
"Quando analisamos a curva do mercado e tentamos desmembrá-la ao máximo, percebemos, basicamente, um prêmio de risco ali", explicou Bailey aos membros do Comitê do Tesouro. Ele se esforçou para dissipar a ideia de que o BoE tenha um “plano secreto” ou que tenha certeza sobre suas futuras ações, especialmente em relação a um possível aumento nas taxas.
A curva de mercado, atualizada nesta terça, indica que um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa do BoE está sendo considerado para o final deste ano, além de mais dois aumentos durante 2027. Ao contrário do Banco Central Europeu (BCE), que já elevou suas taxas em junho e deve fazê-lo novamente nesta quinta-feira, 10, o BoE não alterou suas taxas desde o início do conflito no Irã, no final de fevereiro. Os investidores, aliás, veem uma baixa probabilidade de um aumento por parte do BoE na próxima semana.
Bailey também comentou que os dados econômicos apresentados desde a divulgação das previsões do banco em julho têm mostrado um desempenho um pouco melhor do que o esperado, chamando a atividade econômica de “razoavelmente resiliente”.
Participaram da audiência o vice-presidente do BoE, Dave Ramsden, e os membros externos do comitê, Megan Greene e Alan Taylor. Ramsden afirmou que o cenário para a pressão inflacionária gerada internamente parece “relativamente benigno”, apoiando-se em dados do mercado de trabalho. Por sua vez, Taylor observou que manter as taxas de juros em níveis restritivos funcionava como um “seguro” contra riscos externos.
Greene, que votou a favor do aumento da taxa de juros de 3,75% para 4% em julho, expressou preocupação de que a duração do atual choque nos preços do petróleo possa levar a expectativas mais duradouras de inflação elevada.
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