Avaliação de Danos do Terremoto na Colômbia: Ações das Seguradoras
Após o terremoto devastador de 7,4, seguradoras iniciam análise de danos e suas consequências para o setor de seguros na Colômbia.
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Passados alguns dias desde o devastador terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia, resultando em mais de 280 vidas perdidas, o setor de seguros e resseguros começa a fazer uma análise detalhada dos danos causados. Embora ainda não haja uma estimativa oficial sobre o total de indenizações e seu impacto no setor, é possível prever repercussões significativas em áreas como seguros de vida, residenciais, patrimoniais e de infraestrutura.
Dados preliminares da Federação de Seguradores Colombianos (Fasecolda) indicam que 442,5 mil imóveis nos 105 municípios mais afetados possuem cobertura para terremoto, abrangendo desde residências a estabelecimentos comerciais, hospitais e escolas. No total, há 2,2 milhões de imóveis no país com essa proteção.
“Embora já estejamos iniciando a quantificação das perdas por meio de modelos de catástrofes e imagens de satélite, a designação de peritos para vistorias presenciais e a ativação formal das coberturas de seguro estão apenas começando. A extensão final dos prejuízos dependerá das inspeções estruturais e da evolução dos avisos de sinistros”, explica Beatriz Protasio, presidente de resseguros para o Brasil na corretora global Aon.
O ressegurador IRB(Re) projeta um impacto líquido de US$ 17,5 milhões em seus resultados futuros, devido aos sinistros relacionados a esse evento. A Colômbia é um mercado estratégico para a companhia, que mantém contato constante com os clientes na região para assegurar que as indenizações cheguem às famílias e comunidades afetadas o mais rápido possível, conforme afirma Daniel Volpe, diretor técnico e de retrocessões do IRB(Re).
O terremoto, que teve um impacto especialmente severo nas cidades da região cafeeira, como Pereira, além de Cali, onde danos a edifícios, interrupções em serviços públicos e perda de vidas foram registrados. E, embora os efeitos tenham sido menos intensos em grandes cidades como Bogotá, também foram sentidos por lá.
O evento principal ocorreu na segunda-feira, dia 10, e, nos dias que se seguiram, foram registradas réplicas, o que demanda uma atenção contínua nas próximas semanas, segundo Protasio, da Aon.
“É ainda um pouco cedo para uma avaliação mais detalhada, mas o que se nota é que o evento deve impactar especialmente os setores de construção, mercado imobiliário, indústria, infraestrutura e energia. Além disso, haverá repercussões relacionadas à interrupção de negócios e à cadeia de fornecimento”, comenta.
Esse cenário se insere em um contexto regional de alta exposição a desastres naturais. Um relatório recente da Aon sobre eventos do primeiro semestre destaca as inundações na Colômbia em fevereiro, que causaram perdas estimadas em US$ 2,2 bilhões, além do terremoto na Venezuela, que foi o evento mais custoso da região nesse período. No Brasil, fenômenos como tempestades severas, inundações, deslizamentos de terra e uma seca prolongada resultaram em perdas estimadas em US$ 1,29 bilhão na primeira metade deste ano.
Tanto a Colômbia quanto o Brasil enfrentam o desafio de aumentar a penetração dos seguros, o que é crucial para melhorar a resiliência frente a esses eventos.


