Aumento de 0,40% nos Preços dos Alimentos: O Que Esperar?

Inflação de setembro mostra alta nos preços dos alimentos, mas especialistas da FGV-Ibre alertam que tendência de longo prazo ainda é incerta.

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A prévia da inflação de setembro de 2026 revelou um aumento de 0,40% nos preços dos alimentos, gerando preocupações entre os consumidores. Segundo André Braz, coordenador dos índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre), essa alta não necessariamente indica uma tendência de aumento contínuo.

"Embora a inflação tenha ficado um pouco acima do esperado, não vejo isso como um sinal de alerta. Os preços de alimentos, especialmente do tomate, arroz e carne, impactam bastante o orçamento das famílias. Mas ainda é cedo para afirmar se os preços continuarão subindo", comenta Braz.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os itens que mais contribuíram para esse aumento no grupo de Alimentos e Bebidas foram o tomate (+20,76%), o arroz (+2,39%) e as carnes (+1,30%).

Braz também ressalta que as condições climáticas nesta época do ano podem complicar a oferta de alimentos frescos, como o tomate, que pode ter seu amadurecimento atrasado pelo frio, e o arroz, que pode sofrer com chuvas intensas no Sul. "O cenário pode mudar. O destino desses preços ainda não está definido; alguns produtos podem ter aumento, enquanto outros podem se estabilizar", explica.

Ele acrescenta que a entrada de ar quente pode aumentar a oferta de tomate no mercado, o que não necessariamente indica uma tendência de alta a longo prazo. O arroz, por sua vez, pode ser afetado pelas condições climáticas e pelo fenômeno do El Niño, que pode impactar a safra e os preços.

No que diz respeito à carne, Braz menciona que, no atual ciclo da pecuária, já se esperava uma menor oferta para abate. No entanto, as recentes restrições da China à carne brasileira podem aumentar a oferta interna, ajudando a desacelerar os preços.

Em 2026, a China não impôs um embargo total à carne bovina brasileira, mas estabeleceu um sistema de cotas anuais, incluindo uma sobretaxa de 55% sobre qualquer quantidade que ultrapasse 1,106 milhão de toneladas.

Além disso, Braz destaca a expectativa de aumento nas tarifas de energia elétrica para residências, que subiram 7,42% em setembro, após uma queda de 6,25% em agosto. Esse aumento é preocupante, pois impacta diretamente o orçamento das famílias.

"Nos últimos 12 meses, os preços monitorados estão acima do teto da meta, incluindo despesas com energia, telefonia e medicamentos, que comprometem cerca de 25% do orçamento familiar", conclui.

Apesar desse cenário desafiador, Braz acredita que o aumento da inflação na prévia de setembro não deve interromper o ciclo de cortes na taxa Selic promovido pelo Banco Central.

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