
Aumento Alarmante de Ataques a Serviços de Saúde em Conflitos
ONGs alertam sobre a crescente violência contra cuidados de saúde em áreas de conflito, destacando a urgência de ação global.
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Em uma carta conjunta, líderes do Comité Internacional da Cruz Vermelha, da Organização Mundial da Saúde e da Médicos Sem Fronteiras fizeram um apelo urgente aos líderes globais, pedindo uma liderança política firme para acabar com a violência nas zonas de conflito. "Os cuidados de saúde nunca podem ser uma vítima da guerra", enfatizaram essas organizações.
Recentemente, o Conselho de Segurança da ONU aprovou, por unanimidade, a Resolução 2286, que visa proteger os cuidados de saúde em conflitos armados. Mais de 80 Estados-membros se comprometeram a proteger não apenas o pessoal médico e humanitário, mas também as infraestruturas, meios de transporte e equipamentos essenciais.
Entretanto, as organizações alertaram que, na prática, a situação é ainda mais grave hoje do que há dez anos. "Não estamos celebrando uma conquista, mas sim reconhecendo um fracasso", afirmaram. A continuidade da violência contra instalações médicas e pessoal de saúde significa que os danos que a resolução pretendia prevenir ainda não diminuíram. "Diariamente, nas frentes das crises mais devastadoras do mundo, nossas equipes presenciam as catastróficas consequências de se violar a inviolabilidade dos cuidados de saúde", disseram.
Quando os cuidados de saúde se tornam inseguros, isso normalmente sinaliza um colapso das normas que deveriam limitar os impactos da guerra. "Atacar hospitais e profissionais de saúde não é apenas uma crise humanitária, mas uma crise de humanidade", alertaram.
Nos últimos dez anos, organizações de saúde internacionais relataram uma série de ataques aos serviços de saúde. Entre os incidentes mais alarmantes estão os bombardeios aéreos de hospitais na Síria e no Iémen, disparos de artilharia contra instalações na Ucrânia e na Palestina, além de ataques de drones em Myanmar e agressões a ambulâncias claramente identificadas em lugares como Camarões, Haiti e Líbano.
Em 2025, o Sistema de Vigilância de Ataques contra os Cuidados de Saúde da OMS registrou 1.348 ataques a unidades de saúde, resultando em 1.981 mortes. O Sudão foi o país mais afetado, com 1.620 mortos, seguido por Myanmar (148), Palestina (125), Síria (41) e Ucrânia (19).
Desde o início de 2026, a OMS já documentou 521 ataques em 13 países, que causaram a morte de 408 pessoas. Infelizmente, o ritmo dos ataques não mostra sinais de desaceleração. Por exemplo, a Ucrânia reportou um aumento de quase 20% nos ataques a serviços de saúde em comparação com 2024.
Desde que a invasão em grande escala pela Rússia começou, em 24 de fevereiro de 2022, a OMS registrou pelo menos 2.881 ataques contra cuidados de saúde na Ucrânia, afetando profissionais, instalações, ambulâncias e armazéns médicos. De acordo com a Médicos Sem Fronteiras, o número de incidentes atingiu seu pico em 2024 e 2025, e os dados preliminares de 2026 indicam uma continuidade alarmante desse cenário. "Hoje, as unidades de saúde estão sob uma pressão insustentável", concluíram.