Ataques a Símbolos Religiosos Reacendem Debate sobre Intolerância

Ataques a Símbolos Religiosos Reacendem Debate sobre Intolerância

Recentes atentados em Fortaleza e outras cidades destacam a crescente intolerância religiosa no Brasil, exigindo ações urgentes das autoridades.

•2 min de leitura•Fonte original

© 21 20:55:22

“Se reabrir, todos morrem.” Essa mensagem alarmante estava em um cartaz em uma loja de artigos religiosos católicos em Fortaleza, que foi alvo de um atentado com coquetel molotov na madrugada de 9 de setembro. Este ataque não foi um incidente isolado; naquela mesma noite, outros dois estabelecimentos católicos e uma loja de umbanda também foram incendiados na capital cearense.

Atualmente, os atentados estão sob investigação da Polícia Civil. No dia seguinte, o Padre Josileudo Queiroz, da Igreja de São José Operário, em Caucaia, se manifestou nas redes sociais, enfatizando: “Vivemos em um país laico, sem uma religião oficial. O que ocorreu aqui em Fortaleza, repetido em várias partes do Brasil, é um crime de intolerância religiosa.”

Os ataques em Fortaleza não são os únicos a atingir símbolos católicos. Um dia antes, em Londrina (PR), a cabeça de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi arrancada. Em Salvador, duas imagens religiosas, incluindo a de Nossa Senhora das Graças e a de Santa Dulce dos Pobres, foram destruídas nos dias seguintes.

Na quarta-feira, dia 30, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou que a Polícia Federal deve investigar a crescente onda de ataques a imagens religiosas em todo o país.

Esses casos de intolerância surgiram antes da discussão sobre o título de padroeira do Brasil ser atribuído a Nossa Senhora Aparecida, tema que ganhou destaque nas recentes disputas eleitorais.

Dados do Disque 100 revelam que, entre janeiro e junho de 2026, foram registradas 1.252 denúncias de violações da liberdade de crença. Curiosamente, os católicos não são os principais alvos dessa onda de intolerância. Historicamente, praticantes de candomblé e umbanda são as principais vítimas, representando apenas 1% da população brasileira. Neste ano, foram registradas 270 denúncias, um aumento de mais de 40% em relação a 2025.

Para os católicos, as denúncias também aumentaram, subindo de 15 para 34, um crescimento superior a 100% em comparação ao ano anterior. Durante a Semana Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, Rudelmar Faria, secretário-geral da ACT Alliance, destacou que a exclusão por motivos religiosos é uma estratégia política global, fomentando divisões e fundamentalismos.

Compartilhar: