Atafona: Entenda a Cidade Submersa e Seus Desafios
A cidade de Atafona enfrenta a erosão e o avanço do mar, impactando vidas e histórias. Conheça a realidade dessa região em transformação.
08/09/2026, 10h54
Atualizado há um minuto
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O avanço do mar tem mudado de forma drástica a paisagem de Atafona, um distrito de São João da Barra, no Norte Fluminense, ao longo dos anos. Esse processo, que teve início na década de 1960, resultou na destruição de casas, ruas, redes de esgoto e até mesmo das estruturas elétricas.
Com o tempo, a erosão já alcançava até 6 metros por ano, e mais de 500 residências foram submersas em uma área de cerca de 2 quilômetros. Para piorar, até 2022, centenas de casas continuavam ocupadas por moradores em áreas de risco, como revelou uma reportagem do GLOBO.
A mudança na paisagem é evidente, especialmente nos relatos de quem vive na região. Em 2024, Sônia Ferreira compartilhou ao GLOBO que construiu sua casa em 1978, quando ainda havia uma distância de dois quarteirões entre sua residência e o mar. Naquela época, a Avenida Atlântica estava asfaltada, havia um calçadão e uma vasta faixa de areia.
— Viver aqui é como estar em um castelo de areia. Quando construímos a casa, em 1978, o mar estava longe. Tínhamos dois quarteirões até ele, com a avenida asfaltada e um enorme trecho de areia até chegar à praia. Jamais pensei que um dia ele chegaria até nós. Eu acompanhava as marés como se fosse pescadora, sempre na esperança de continuar ali — recordou Sônia.
Em 2019, quando a água começou a encostar no muro dos fundos, Sônia decidiu deixar a casa antiga e se mudou para um apartamento pequeno construído no mesmo terreno. Mas, mesmo assim, ela ainda nutria a esperança de voltar.
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Em outra oportunidade, Sônia registrou a água atingindo a lateral de sua residência. Ela descreveu como a erosão estava retirando a areia sob o terreno, deixando o muro sem apoio.
— Eu estava na varanda do meu quarto quando minha vizinha, que também perdeu sua casa, me ligou pedindo para filmar a situação do mar, que estava batendo forte na lateral da casa. O muro já estava sem sustentação, porque o mar ia tirando a areia que ficava por baixo e deixava tudo oco. Pensamos em colocar pedras na frente do muro para tentar impedir o processo, mas isso poderia prejudicar os vizinhos — explicou.
Dados da Comissão Europeia indicam que o trigo de inverno atingiu a maturação em algumas áreas da União Europeia 20 dias antes do que em 2000, com padrões semelhantes observados para a colza e o milho.
Em 2022, João Waked Peixoto observava a ameaça à casa que sua família construiu. Ele comentava que não sabia quando precisaria abandonar o imóvel.
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— É uma incógnita saber quando vamos ter que sair. O mar avançou cerca de 3 ou 4 metros em apenas 15 dias. Não temos certeza. Esse muro pode não estar mais aqui na semana que vem — contou à agência de notícias France-Presse (AFP).
A possibilidade de perder a residência também significava deixar para trás memórias de várias gerações.
— É uma pena perder uma casa tão boa. As lembranças de toda a minha família, meus pais, irmãs, sobrinhos, primos, netos. A família inteira vinha pra cá.
