Arminio Fraga: Brasil Repete Erros do Passado e Enfrenta Crise
Economista alerta sobre a herança fiscal e compara a situação atual à crise do governo Dilma, destacando desafios econômicos iminentes.
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Data de publicação original: 15/08/2026, 17:00. O economista Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, expressou preocupações sobre a herança fiscal que o próximo governo enfrentará. Ele traça um paralelo entre o cenário atual e o período que antecedeu a recessão econômica durante o governo Dilma. "Não há mais dúvidas, a herança será realmente complicada, quase maldita, e isso indica que estamos a caminho de uma situação bem difícil", comentou Fraga em uma conversa com o economista Marcos Lisboa, no videocast Desenquadrando, promovido pela Folha. Esse programa, disponível no canal da TV Folha no YouTube, traz entrevistas sobre temas que impactam a sociedade brasileira. Durante a conversa, discutiram políticas públicas, metas de inflação e investimentos em saúde e educação. Fraga acredita que o contexto atual se insere em um "ciclo político clássico", onde os gastos aumentam em anos eleitorais, enquanto a economia parece "meio sem rumo". "Por que não aprendemos com o passado? Estamos novamente em uma situação em que a política macroeconômica é totalmente descoordenada. De um lado, temos um Banco Central tentando controlar a inflação e, do outro, parece que há uma luta constante para aumentar os gastos", ele ressaltou. Ele também destacou que alguns indicadores, como a taxa de desemprego, que caiu para 5,4% no trimestre até junho, o menor nível histórico, podem esconder a gravidade do problema fiscal que o país enfrenta. "Estamos acreditando que aquecer a economia a curto prazo vai resolver nossos problemas, mas isso não vai acontecer", advertiu. Na visão de Fraga, os problemas estão surgindo rapidamente, com o mercado de crédito já dando sinais de dificuldades. "A primeira onda foi o crédito pessoal, com milhões de pessoas em inadimplência. Em seguida, o varejo, que opera com margens pequenas, foi severamente afetado", ele explicou. Segundo Fraga, um dos grandes desafios fiscais do Brasil é que, apesar do discurso sobre austeridade, pouco foi feito na prática. "Há 30 ou 40 anos, o gasto público no Brasil representava cerca de um quarto do PIB, e hoje isso subiu para um terço. Ou seja, houve um aumento de aproximadamente 9 pontos percentuais do PIB. Portanto, não houve austeridade. O que falta, na verdade, são prioridades", ele afirmou. Em sua análise, Fraga considera que o crescimento do PIB per capita brasileiro foi "medíocre" nas últimas três décadas, muito devido à política fiscal. Ele reconhece que, desde o Plano Real, houve momentos de esperança, destacando o primeiro governo de Lula como um deles. Fraga foi presidente do Banco Central entre 1999 e 2003, período que coincide com o início do primeiro mandato do PT na presidência. "Aquele foi um momento maravilhoso. Mas, depois, como se tivéssemos esquecido, os velhos vícios e ideias voltaram com força", concluiu.