Apple Adia Lançamento de Óculos Inteligentes por Privacidade
Preocupações com privacidade levam Apple a postergar lançamento de óculos inteligentes, inicialmente previsto para 2026.

Após o sucesso dos óculos inteligentes da Meta, a Apple decidiu entrar na disputa por esse mercado em expansão. No entanto, as expectativas iniciais de que os novos modelos chegariam ao público ainda este ano não se concretizarão. De acordo com o jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, a empresa responsável pelo iPhone optou por adiar o lançamento devido a preocupações relacionadas à privacidade. O ponto aqui é que a gigante de Cupertino está focada em aprimorar os recursos de segurança e privacidade dos óculos, que incluem câmeras, sensores, inteligência artificial e coleta de dados. Antes, a previsão era de um anúncio no segundo semestre — possivelmente alinhado ao lançamento do iPhone 18 Pro e do dobrável da marca — com a comercialização prevista para o início do próximo ano. Entretanto, agora, esses dispositivos da Apple devem ser apresentados apenas na WWDC de 2027, que ocorrerá em junho, e chegar às prateleiras no final do mesmo ano. A Meta, por sua vez, ajudou a popularizar os óculos inteligentes com sua linha Ray-Ban, mas não sem enfrentar críticas a respeito da facilidade com que esses dispositivos permitem gravações não autorizadas. É importante ressaltar que esses vestíveis contam com recursos de segurança, como uma luz de LED que se acende durante uma gravação. No entanto, relatos indicam que essa sinalização tem sido burlada por alguns usuários, levando à criação de vídeos sem que as vítimas se deem conta — desde situações embaraçosas em pegadinhas até assédios em espaços públicos. O Instagram, pertencente à Meta, já reconheceu a disseminação desse tipo de conteúdo, frequentemente gravado em locais de trabalho ou ambientes públicos, e se comprometeu a removê-los. Além disso, a Meta garantiu que interromperia gravações ao detectar violações relacionadas ao sistema do LED. Para a Apple, essa situação é particularmente desafiadora, dado seu histórico de promover a privacidade como um dos pilares de seus produtos. Por isso, a empresa planeja implementar sinais semelhantes para indicar quando câmeras ou sensores estão em uso, enquanto busca estabelecer um conjunto mais abrangente de diretrizes. Conforme a Bloomberg, a Apple também testou alternativas mais drásticas, como óculos inteligentes sem câmeras ou com sensores dedicados exclusivamente à inteligência artificial, impedindo que o usuário fotografasse ou gravasse vídeos — uma abordagem que a própria Meta também está considerando. Contudo, ambas as soluções poderiam perder seu apelo comercial, na visão da Apple. E não é só a Apple que enfrenta esse dilema. A Samsung, em parceria com a Alphabet (controladora do Google) e a marca de óculos Warby Parker, está desenvolvendo óculos inteligentes que incluem travas para impedir o uso do aparelho caso o LED indicador de gravação seja adulterado. O mercado de óculos inteligentes já começa a gerar novas legislações. No Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 19/26, que estabelece regras para os fabricantes e para o uso desses dispositivos. O projeto prevê que os aparelhos venham equipados com sinais visuais e sonoros para indicar gravações e fotos, além de proibir funções de reconhecimento biométrico de terceiros. Também é proibido o uso em locais como banheiros, salas de aula, hospitais e outros ambientes sensíveis.
