Ancelotti e a Crise da Seleção Brasileira na Copa de 2026
A eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo levanta questões sobre o trabalho de Ancelotti e sua abordagem tática.

A eliminação precoce da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, diante da Noruega, desencadeou uma verdadeira crise de identidade e levantou sérias dúvidas sobre o trabalho de Carlo Ancelotti. Com um currículo repleto de conquistas, incluindo cinco títulos da Champions League, o italiano viu seu estilo de jogo ser amplamente contestado após a que ficou marcada como a pior campanha do Brasil em Copas do Mundo desde 1966.
Para compreender o que levou a essa queda, é fundamental dar uma olhada no desempenho recente de Ancelotti no Real Madrid. As duas últimas conquistas europeias do treinador nesta década, em 2021/22 e 2023/24, foram obtidas em campanhas repletas de oscilações, onde o talento individual frequentemente se destacou como o principal fator para superar dificuldades coletivas. No entanto, essa dinâmica se repetiu no Brasil, mas, desta vez, sem um desfecho feliz.
Durante a fase de grupos nos Estados Unidos, a Seleção Brasileira conseguiu avançar, em grande parte, graças ao brilho de seus atacantes. Vini Jr., com 4 gols, e Matheus Cunha, com 3, foram os responsáveis por todos os tentos da equipe na primeira fase. Quando chegou a hora do mata-mata contra o Japão, o time precisou contar com um "milagre" nos acréscimos. Após Casemiro garantir o empate, Gabriel Martinelli fez o gol que assegurou a classificação no último instante. Esse tipo de dependência de decisões individuais em momentos críticos se tornou uma marca registrada das equipes de Ancelotti.
Na Copa do Mundo de 2026, no entanto, essas individualidades não conseguiram se destacar diante da sólida defesa norueguesa. Assim, ninguém apareceu como o tão esperado "salvador da pátria" para evitar o vexame. Além disso, a postura da Seleção Brasileira também gerou forte rejeição entre os torcedores. Tradicionalmente associada a um futebol ofensivo, criativo e dominante, a equipe terminou a partida de eliminação contra a Noruega com apenas 33% de posse de bola, entregando o controle da partida ao adversário.
A estratégia de abrir mão da posse de bola e investir em transições rápidas não é algo novo nas abordagens de Carlo Ancelotti. Esse modelo já havia sido utilizado em campanhas vitoriosas pelo Real Madrid, especialmente em jogos decisivos de mata-mata. No entanto, essa escolha sempre gerou debates acalorados na Europa, e agora parece ter voltado à tona com ainda mais força no contexto brasileiro.


