
Alta dos Títulos Prefixados do Tesouro: Impactos do Petróleo e Crise Política
Os títulos prefixados do Tesouro Direto sobem pelo segundo dia, impulsionados pela alta do petróleo e tensões políticas no Brasil.
Reprodução Redes Sociais
Data e Hora Atual: 10/09/2026, 11:15:14
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Atualização do Mercado – 10 de Setembro de 2026, 10h56
As taxas do Tesouro Direto estão em alta pelo segundo dia consecutivo nesta quinta-feira, com os títulos prefixados liderando esse movimento. Essa oscilação no mercado acontece em meio a uma escalada da crise no Supremo Tribunal Federal, uma nova operação da Polícia Federal relacionada ao caso conhecido como Dark Horse, e o petróleo que voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril. Para completar, os índices de preços ao produtor nos Estados Unidos também surpreenderam, ficando acima do esperado.
O destaque do dia foi o Tesouro Prefixado 2032, que viu sua taxa subir de 14,21% no fechamento de quarta-feira para 14,29%, um avanço de 8 pontos-base. O Prefixado com Juros Semestrais 2037 subiu de 14,26% para 14,33%, enquanto o Prefixado 2029 passou de 13,87% para 13,93%. No total, em apenas dois pregões, o Prefixado 2032 já acumulou uma alta de 25 pontos-base.
Já nos títulos atrelados à inflação, a tendência de alta também foi notada, com o IPCA+ 2040 se destacando. Este título aumentou de 7,30% para 7,37%, um avanço de 7 pontos-base. O IPCA+ com Juros Semestrais 2037 foi de 7,50% para 7,55%, e o IPCA+ com Juros Semestrais 2045 subiu de 7,39% para 7,44%.
O que se observa aqui é que essa alta na curva de juros ocorre mesmo diante de dados que reforçam a expectativa de um novo corte na Selic. Na prática, isso sugere que os fatores de risco estão pesando mais do que a percepção de uma desaceleração econômica.
Cenário Interno
No cenário interno, a Polícia Federal lançou uma operação para investigar possíveis desvios de emendas parlamentares que, supostamente, teriam sido destinadas ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O deputado federal Mário Frias (PL) é um dos alvos dessa investigação. Este desenvolvimento adiciona uma camada de incertezas a menos de um mês do primeiro turno das eleições, especialmente após a crise no Supremo envolvendo André Mendonça, Alexandre de Moraes e Flávio Dino sobre a permanência de Andrei Rodrigues como diretor-geral da Polícia Federal.
Além disso, a Pesquisa Mensal de Serviços de julho apresentou resultados mais fracos do que o esperado, com estabilidade na margem. André Valério, economista sênior do Inter, comenta que essa desaceleração reflete a política monetária contracionista e deve continuar nos próximos meses. “Para a reunião de setembro, outro corte de 25 pontos-base é consenso, mas esperamos que o Copom continue com os cortes nas reuniões restantes do ano, levando a Selic a 13,25% em dezembro”, afirma.
Cenário Internacional
No cenário internacional, os índices de preços ao produtor dos Estados Unidos subiram 5,4% em agosto em relação ao ano anterior, superando a expectativa de 5,3%, o que intensifica as preocupações com a inflação. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego também ficaram em 206 mil, acima do que era projetado. O Banco Central Europeu, por sua vez, decidiu aumentar os juros em 0,25 ponto percentual, chegando a 2,50% ao ano.
Por fim, o petróleo continua a ser um fator importante. O Brent voltou a ser negociado a US$ 105 por barril, impulsionado pelas tensões entre Estados Unidos e Irã e pelos ataques a navios. Gomes destaca que essa situação tem dois lados para o Brasil: por um lado, aumenta a pressão inflacionária global; por outro, beneficia a Petrobras e as exportadoras de commodities, podendo gerar um fluxo positivo. A Opep, para completar, está atenta a essa dinâmica.
