
Alerta do MP de Minas: Riscos da Exposição de Crianças Online
Informações como o nome da escola e cursos que frequenta podem ser úteis para bandidos que se dedicam a elaborar trotes de sequestro e outros golpes.
© Marcello Casal jr/Agência Brasil
O Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos do Ministério Público de Minas Gerais (Gaeciber/MPMG) emitiu um alerta crucial para os pais: evitem publicar fotos de seus filhos em uniformes escolares. A exposição da rotina das crianças nas redes sociais pode acarretar consequências sérias. Informações como o nome da escola e os cursos frequentados podem ser exploradas por criminosos para armar trotes de sequestro ou selecionar vítimas.
Na última segunda-feira (9), o coordenador do Gaeciber, promotor de Justiça André Salles, conversou com a Agência Brasil sobre a relevância deste aviso. Ele enfatizou que o objetivo é conscientizar os responsáveis sobre os riscos dessa prática. Salles destacou: “A maioria dos crimes na internet não são crimes cibernéticos propriamente ditos. Eles não ocorrem apenas por meio de tecnologia. A superexposição nas redes sociais acaba fornecendo detalhes da vida pessoal das pessoas.”
O promotor também abordou a manipulação que ocorre através da chamada engenharia social. “Essa exposição oferece informações valiosas para os criminosos, permitindo que eles conheçam a rotina da criança, onde ela estuda e para onde costuma ir, além dos horários em que os pais estão em determinados lugares.”
Salles insistiu que essa exposição deve ser evitada, ressaltando que as crianças precisam seguir certos critérios nas redes sociais, respeitando os limites estabelecidos pelos pais. Mesmo que decidam compartilhar fotos ou informações, é fundamental que os responsáveis controlem quem pode acessá-las. “Esses dados são muito valiosos para os bandidos na hora de planejar seus golpes”, alertou.
O promotor também destacou que, muitas vezes, os criminosos constroem uma relação de confiança com suas vítimas, apresentando-se como figuras de autoridade, como diretores de escola ou gerentes de banco. Isso torna a armadilha ainda mais convincente, utilizando informações que a própria vítima compartilhou.
O MPMG tem promovido campanhas para reduzir a exposição de pessoas, especialmente crianças e adolescentes, nas redes sociais, visando combater golpes e crimes pessoais, como a montagem de fotos, que podem atingir pessoas de todas as idades. A intenção é educar a população sobre a importância do controle sobre as informações divulgadas na internet. “Qualquer dado pode ser usado como uma forma de identidade”, advertiu Salles. O Gaeciber também está desenvolvendo iniciativas voltadas para o público interno do MPMG, com o mesmo propósito de conscientização entre seus funcionários.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2024 mostram que 94% dos brasileiros estão conectados à internet. No entanto, o promotor enfatizou a necessidade de uma maior conscientização sobre o uso responsável dessa ferramenta. O Gaeciber continua a realizar ações de prevenção e conscientização sobre os cuidados necessários em relação aos crimes nas redes sociais. Recentemente, foi criada uma força-tarefa para combater golpes relacionados ao pagamento do IPVA e também para promover ações repressivas que já têm resultado em condenações. Há muito mais para explorar sobre este tema.
