Alemanha Pressiona por Cortes Bilionários no Orçamento da UE
Em meio a crescentes demandas, Alemanha defende cortes significativos no orçamento da União Europeia, buscando um foco mais estratégico e sustentável.

A Alemanha está pressionando por uma redução significativa no próximo orçamento de longo prazo da União Europeia (UE), solicitando que essa diminuição seja de “pelo menos várias centenas de milhares de milhões de euros”. Essa afirmação foi feita pelo embaixador alemão na UE, Thomas Ossowski, em uma entrevista à Euronews. Ele destacou que, apesar da cimeira realizada na semana passada, os Estados-Membros ainda estão longe de chegar a um consenso.
Ossowski foi claro ao afirmar que “a proposta da Comissão era claramente demasiado elevada”. Recentemente, a presidência irlandesa da UE já havia reduzido a proposta em cerca de 140 mil milhões de euros durante as negociações. Contudo, para Berlim, isso ainda não é suficiente. “Ainda não chegámos lá”, enfatizou Ossowski. “Serão certamente necessárias mais reduções.”
O próximo passo crucial neste processo será uma nova proposta de compromisso, que deverá ser apresentada pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa, antes de uma cimeira informal da UE programada para o final de novembro. A expectativa é que um acordo seja alcançado antes do Natal. “É um plano ambicioso”, reconheceu Ossowski.
Além disso, a Alemanha deixou claro que tem uma linha vermelha em relação à forma de financiar as ambições da UE. Quando questionado se Berlim aceitaria uma nova emissão de dívida conjunta da UE, caso os Estados-Membros se recusassem a aumentar suas contribuições, Ossowski foi firme em sua resposta: “Não, definitivamente não a nova emissão de dívida comum.” Para Berlim, mais dívida conjunta poderia comprometer a soberania nacional. Eles estão abertos a discutir novos “recursos próprios” da UE, mas rejeitam a ideia de um imposto à escala da UE voltado para empresas europeias.
Essa posição faz parte de uma abordagem mais ampla da Alemanha em favor de um orçamento da UE que, embora menor, seja mais estrategicamente focado. Ossowski defendeu que as despesas devem priorizar áreas como competitividade, inovação, pesquisa, defesa, segurança e a situação da Ucrânia. Embora os financiamentos para a agricultura e para a coesão sejam mantidos, a Alemanha propõe reduzir sua parte no orçamento da UE, passando de cerca de 66% para 50%. “Consideramos que esta é uma abordagem sustentável”, afirmou.
Essa disputa orçamental ocorre em um momento em que os líderes da UE enfrentam crescentes demandas para financiar o esforço de guerra da Ucrânia. Ossowski rejeitou a ideia de que um apoio adicional a Kiev deva ser feito à custa dos agricultores, das famílias ou dos fundos de coesão. Ele explicou que os 90 mil milhões de euros em empréstimos já acordados para a Ucrânia foram financiados fora do orçamento regular da UE, utilizando a “margem” existente no quadro financeiro.
Contudo, mais apoio será necessário para ajudar a Ucrânia a enfrentar o inverno e se preparar para o próximo ano. “A Alemanha está ao lado da Ucrânia e a União Europeia também está ao lado da Ucrânia”, afirmou Ossowski, destacando que Berlim também espera contribuições do G7 e de outros parceiros internacionais.
Por fim, Ossowski demonstrou ceticismo em relação ao recente esforço diplomático liderado pelos Estados Unidos para encerrar o conflito. “Não vemos qualquer disponibilidade da Rússia para participar em negociações de qualquer tipo”, observou, indicando que a situação permanece tensa e incerta.