Agropecuária Avança em Áreas Próximas às Reservas da Amazônia

Agropecuária Avança em Áreas Próximas às Reservas da Amazônia

Estudo revela que 30,5% da agropecuária na Amazônia ocupa regiões adjacentes a áreas protegidas, aumentando a pressão sobre a vegetação nativa.

•3 min de leitura•Fonte original

© Marcello Casal jr/Agência Brasil

Data de publicação original: 14/10/2026, 13:20. O avanço da agropecuária na Amazônia tem se intensificado, especialmente nas áreas adjacentes às Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Quilombolas. De acordo com dados de 2025, essa atividade ocupava já 30,5% do total dessas regiões protegidas. Essas informações foram divulgadas na quarta-feira (14) e fazem parte de uma análise da Coleção 11 do MapBiomas, que apresenta dados sobre a cobertura e uso da terra no Brasil entre 1985 e 2025. Em 2025, a agropecuária ocupava cerca de 65,2 milhões de hectares na Amazônia. Desses, 13,6 milhões de hectares estão localizados nas imediações de áreas onde a legislação protege a vegetação nativa. O que chama a atenção é a proximidade das estradas. Elas não apenas facilitam o acesso às áreas de vegetação nativa, mas também aumentam a pressão sobre esses locais, onde 98% da vegetação ainda se mantém. O estudo revela que as regiões mais próximas às vias são, na prática, as que apresentam maior ocupação agropecuária. Dos 157 milhões de hectares que se encontram a até 5 km das 618 mil km de estradas mapeadas, impressionantes 40,2% são utilizados para atividades agropecuárias. Isso equivale a cerca de 63 milhões de hectares, que representa mais de 96% de toda a área dedicada a essa atividade no bioma. Conforme se aumenta a distância das estradas, a participação da agropecuária na região diminui. A presença dessa atividade cai para 26,7% em áreas mais afastadas. Bruno Ferreira, pesquisador do Imazon e membro da equipe do MapBiomas Amazônia, considera essa forma de ocupação uma séria ameaça à conservação do bioma. “As estradas facilitam o acesso a áreas de vegetação nativa, o que favorece processos de ocupação e conversão da terra. Essa pressão, tanto no entorno quanto no interior das áreas protegidas, pode resultar na expansão da agropecuária, da mineração e de outras atividades que transformam a cobertura e uso da terra”, alerta ele. O estudo revela que, ao longo de 41 anos, a agropecuária cresceu 561% nas áreas adjacentes às regiões protegidas da Amazônia. Essa análise foi feita cruzando dados da Coleção 11 do MapBiomas com as informações de estradas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e dados do OpenStreetMap. Os 618 mil km de vias considerados incluem também aquelas que não fazem parte da malha rodoviária oficial. Além disso, o estudo atualiza as informações sobre o desmatamento na Amazônia em 2025, quando foram reportados 693 mil hectares desmatados, o menor registro da série histórica. Desses, a maior parte — 639 mil hectares — ocorreu em vegetação primária, ou seja, em regiões onde a vegetação nativa ainda estava intacta. Os 54 mil hectares restantes foram de vegetação secundária, que já havia sofrido intervenções, mas ainda possuíam capacidade de regeneração. Entre 1985 e 2025, a Amazônia perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa, somando-se aos territórios já transformados pelo homem, totalizando 74,6 milhões de hectares antropizados na região. Ao longo desse período de 41 anos, a formação florestal foi o tipo de vegetação mais afetado pelo desmatamento, com uma perda de 49,7 milhões de hectares, o que representa uma diminuição de 14,8%.

Compartilhar: