Acesso ao Lazer na UE: 1 em 8 Enfrenta Dificuldades Financeiras

Cerca de 46 milhões de europeus não conseguem participar de atividades de lazer devido a custos, com a Grécia liderando as dificuldades. Entenda os dados mais recentes.

•3 min de leitura•Fonte original

Cerca de 46 milhões de pessoas na União Europeia enfrentam dificuldades para acessar atividades de lazer regulares devido ao custo, conforme indicado pelo Eurostat. Na Grécia, a situação é ainda mais crítica: mais de uma em cada quatro pessoas enfrenta essa barreira, a maior proporção entre os países do bloco. Esses dados revelam disparidades significativas na Europa, mesmo entre nações que apresentam níveis de rendimento semelhantes.

Vários estudos mostram que participar de atividades sociais e de lazer está diretamente ligado a uma melhor saúde mental, além de contribuir para a redução de sintomas de depressão e ansiedade. O Eurostat destaca, portanto, a importância do lazer e das interações sociais na promoção de uma qualidade de vida mais satisfatória.

Agora, onde exatamente os custos mais afetam a participação das pessoas? E até que ponto o rendimento se relaciona com essas desigualdades?

Em 2025, a porcentagem de pessoas que não conseguiam arcar com o custo de atividades de lazer variava bastante: enquanto na Croácia essa taxa era de apenas 3,9%, na Grécia chegava a alarmantes 27,3%. A média da UE, nesse contexto, era de 12,1%. Esses dados se referem a indivíduos com 16 anos ou mais, e, considerando que em 2025 havia cerca de 381 milhões de pessoas nesse grupo etário, isso significa que aproximadamente 46 milhões de residentes na UE se viam impedidos financeiramente de participar de atividades de lazer.

Além da Grécia, essa proporção também ultrapassava os 15% em outros países, como Romênia (23,3%), Lituânia (17,9%), Letônia (16,2%), Macedônia do Norte (15,9%) e Hungria (15,8%). Tanto França quanto Espanha apresentaram números acima da média da UE, com mais de 13% da população em cada um desses países mencionando que o custo impedia sua participação em atividades de lazer regularmente.

A Suíça também se posicionou acima da média, com 13%. A Alemanha, com 11,7%, ficou ligeiramente abaixo da média europeia, enquanto na Itália, 10,7% das pessoas não conseguiam participar regularmente devido ao custo.

Por outro lado, países como Chéquia (4,1%), Luxemburgo (5,4%), Noruega (5,7%) e Eslováquia (5,7%) tiveram percentuais próximos ao da Croácia, no extremo inferior da tabela.

É interessante notar que, mesmo entre os países nórdicos da UE, a proporção foi maior do que na Croácia, como no caso da Dinamarca (10,4%), Suécia (9,7%) e Finlândia (7,9%). Em outros lugares, a situação se apresentava da seguinte forma: 6,7% nos Países Baixos, 8,7% na Turquia, 9,2% em Portugal, 9,7% na Bélgica e 9,2% na Irlanda.

Quando analisamos a acessibilidade das atividades de lazer, percebe-se que, em geral, elas são menos disponíveis para as mulheres. Com exceção de Malta, onde a diferença foi mínima (apenas 0,1 ponto percentual), as mulheres na UE enfrentaram uma taxa de 13% de restrição ao lazer, em comparação com 11,1% dos homens. Essa diferença entre os gêneros foi especialmente notável em vários países, como Lituânia (5,1 pontos percentuais), Romênia (4,7 pp), Dinamarca (3,9 pp) e França (3,7 pp).

Por fim, vale a reflexão: qual a relação entre rendimento e acesso ao lazer? Uma análise realizada pela Euronews Business, que abrange 33 países europeus, sugere que, embora o rendimento tenha um papel importante, ele não explica todos os fatores em jogo. Existe uma correlação moderada entre o rendimento mediano e a quantidade de pessoas que ficam sem acesso a atividades de lazer regulares devido ao custo. Os dados sobre rendimento, coletados pelo Eurostat, referem-se ao rendimento mediano ajustado.

Compartilhar: