A Proibição da Publicidade de Carne na Europa: Um Debate Necessário

Cidades europeias estão banindo anúncios de carne para combater a crise climática e alcançar a neutralidade carbônica até 2050.

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A Proibição da Publicidade de Carne na Europa: Um Debate Necessário
Reprodução Redes Sociais

A Europa está se lançando em uma nova era de marketing verde, com várias cidades rejeitando publicidade que prejudica o clima. Amsterdão, por exemplo, se tornou a primeira capital do mundo a proibir painéis publicitários que promovem combustíveis fósseis e carne em 1 de maio de 2026. Essa decisão, que ocorreu cinco anos após a proposta da lei, está alinhada com as metas de alcançar a neutralidade carbônica até 2050 e reduzir pela metade o consumo de carne no mesmo período.

Outras cidades nos Países Baixos, como Utrecht, Haia, Zwolle, Delft e Nijmegen, também implementaram restrições semelhantes. Além disso, cidades como Helsínquia, Estocolmo e Bristol começaram a proibir a promoção de combustíveis fósseis e produtos com alta pegada de carbono, incluindo aviação, transporte marítimo, fast fashion e construção. No entanto, muitas dessas proibições ainda não se estendem à carne.

Mas por que as cidades europeias estão se movendo para proibir anúncios de carne? Embora os impactos climáticos da queima de combustíveis fósseis sejam amplamente reconhecidos, os efeitos ambientais da produção animal ainda recebem menos atenção do público. Um relatório recente da organização sem fins lucrativos Changing Markets revelou que alguns departamentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) têm mostrado uma tendência a favorecer o setor pecuário, especialmente em um momento em que grupos de pressão tentam bloquear ações climáticas. Isso inclui discursos de altos responsáveis da FAO no World Meat Congress e tentativas de cientistas ligados à indústria da produção animal para desacreditar estudos que promovem dietas ricas em alimentos de origem vegetal.

É inegável que a alimentação e a agricultura são responsáveis por cerca de um terço das emissões globais de gases com efeito de estufa (GEE), ficando atrás apenas da queima de carvão, petróleo e gás. Acredita-se que os alimentos de origem animal na União Europeia representem entre 81 e 86 por cento do total das emissões de GEE da produção alimentar, mesmo fornecendo apenas cerca de 21 por cento das calorias e 64 por cento das proteínas.

Nos últimos anos, cientistas têm incentivado os países, especialmente os ocidentais que têm acesso a alternativas vegetais, a reduzir o consumo de carne para enfrentar essa questão. Um dos relatórios mais citados é o de 2025 da Comissão EAT-Lancet, elaborado por 70 especialistas de 35 países, que concluiu que se o mundo adotasse dietas predominantemente baseadas em plantas, cerca de 15 milhões de mortes poderiam ser evitadas anualmente. Além disso, especialistas afirmam que isso poderia levar a uma redução de 15 por cento, até 2050, nas emissões de GEE não relacionadas ao CO2 provenientes da agricultura, como o metano emitido pelo gado e o óxido nitroso dos fertilizantes.

Ao considerar todo o ciclo de vida dos alimentos – desde a redução da desflorestação até o transporte e a refrigeração – a diminuição total das emissões seria ainda mais significativa. Assim, vemos como a publicidade molda o comportamento dos europeus.

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