A História da Urna Eletrônica: Início e Impacto no Brasil
Descubra como a urna eletrônica revolucionou as eleições brasileiras desde sua introdução em 1996, impactando a participação do eleitorado.
Data de publicação original: 06/09/2026, 12:00
Como nasceu a urna eletrônica?
Na entrada de uma casa simples, feita de taipa e coberta com palha, um homem aponta para um cartaz colado à parede. Na parte de cima, lê-se "vote em mim". Mas, surpreendentemente, não há o rosto de um candidato. O que se vê é apenas o teclado numérico da urna eletrônica.
Era o ano de 1998, e a cidade pesqueira de Acaraú, no Ceará, preparava-se para sua primeira experiência com esse novo equipamento eletrônico. Para os moradores, a urna era uma novidade intrigante. Aprender a votar nela era um desafio. Até aquele momento, somente um terço do eleitorado brasileiro havia tido contato com essa tecnologia. A estreia das urnas eletrônicas ocorreu em 1996, principalmente em grandes centros urbanos.
Esse cartaz, que chamava a atenção, era parte de um esforço para familiarizar a população com uma tecnologia que, em apenas dois anos, estaria presente em todas as seções eleitorais do país. Mauro Hashioka, um engenheiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e membro da comissão que desenvolveu a urna eletrônica, é o homem que aparece apontando para o cartaz em Acaraú. Na imagem, ao fundo, está a própria urna. — Foto: Arquivo pessoal
O grupo se deslocou até Acaraú, uma cidade com um alto índice de analfabetismo, para observar como os eleitores reagiriam diante da nova máquina. Hashioka fazia parte de um time de cinco especialistas, composto por técnicos do Inpe, do Centro Técnico Aeroespacial e do próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Eles passaram a ser conhecidos como “os ninjas”, já que três dos cinco membros tinham ascendência japonesa.
Em 1996, o TSE decidiu transformar em realidade uma ideia que já constava no Código Eleitoral de 1932: a máquina de votar. A intenção era também se desvincular de um passado marcado por fraudes associadas às cédulas de papel. Afinal, na eleição de 1994, parte dos votos foi anulada no Rio de Janeiro.
O último a se juntar ao time foi o matemático Giuseppe Janino, o “quinto ninja”. Com apenas 35 anos, ele havia conquistado o primeiro lugar em um concurso para trabalhar no TSE.
Os cinco especialistas se reuniam em uma sala na sede do tribunal, em Brasília, sob um prazo apertado. A missão era criar uma máquina que funcionasse em diversas condições, considerando as particularidades de um país continental como o Brasil. Para isso, o equipamento precisava respeitar uma série de diretrizes.
☎️ Para enfrentar esse desafio, os criadores da urna se inspiraram em um objeto bastante familiar ao brasileiro da década de 1990: o telefone fixo. A disposição dos números no teclado da urna seguiu a mesma lógica do aparelho que fazia parte do cotidiano da população.